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Produtor paga por custo da inadimplência e renegociações, diz CNseg

Publicado em: 04/08/2026 13:34
Produtor paga por custo da inadimplência e renegociações, diz CNseg
O presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), Dyogo Oliveira, afirmou que o produtor rural brasileiro acaba arcando, no fim do ciclo do crédito, com o custo da inadimplência e das renegociações de dívidas. A declaração foi dada no evento Diálogo Setorial: Seguros, Crédito e Agronegócio, em Brasília. Para ele, esses custos já estão embutidos nas taxas cobradas pelo sistema financeiro e se somam à pressão da taxa básica de juros e da instabilidade climática. Na avaliação de Oliveira, o modelo atual de financiamento cria um ciclo de endividamento recorrente. Após perdas de safra, os produtores renegociam dívidas que se acumulam ao longo dos anos, muitas vezes mantendo duas ou três parcelas antigas simultaneamente. Esse histórico eleva o risco percebido pelos bancos e tende a encarecer o crédito para todo o setor. Ele mencionou renegociações com cerca de 30 anos, renovadas três ou quatro vezes. O dirigente também apontou uma distorção na política pública: enquanto o Plano Safra movimenta centenas de bilhões de reais, o seguro rural tem orçamento próximo de R$ 1 bilhão. A área segurada no país caiu de 13,7 milhões de hectares em 2021 para cerca de 3,2 milhões de hectares em 2025. No entendimento da CNseg, o governo economiza valores relativamente pequenos no seguro, mas gasta mais com renegociações. Participantes do evento defenderam uma reestruturação da política agrícola. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) afirmou que o modelo de crédito centrado no Plano Safra está ultrapassado e que o seguro rural deveria ser um pilar central para destravar o crédito. O presidente da Abag, Ingo Plöger, destacou que o agro opera em regime próximo ao 'just in time', o que amplia a sensibilidade a choques logísticos e climáticos. O presidente da Acrefi, Tadeu Silva, disse que o financiamento do setor está migrando para o mercado de capitais. Até fevereiro, o investimento rural caiu 20% e o Moderfrota recuou 49%, enquanto a CPR somou R$ 163,4 bilhões em contratações, alta de 39%. Ele alertou que o avanço do crédito sem cobertura adequada de seguro amplia o risco sistêmico, deixando o produtor vulnerável em caso de quebra de safra.
FONTE ORIGINAL:
https://www.cnnbrasil.com.br/agro/produtor-paga-por-custo-da-inadimplencia-e-renegociacoes-diz-cnseg
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