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Bancos veem piora do crédito e sinalizam aperto nos empréstimos diante da alta dos calotes

Publicado em: 07/08/2026 10:48
Bancos veem piora do crédito e sinalizam aperto nos empréstimos diante da alta dos calotes
Os principais bancos privados do país estão adotando postura mais cautelosa na concessão de crédito, diante da alta dos calotes e da perspectiva de um ciclo desafiador. Em teleconferência com analistas, o presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy, afirmou que há excesso de crédito dado pelo mercado e que prefere abrir mão de crescimento e participação a correr risco de inadimplência. O Bradesco, na mesma linha, disse reduzir o crédito pessoal e priorizar operações colateralizadas. Os três maiores bancos privados — Itaú Unibanco, Bradesco e Santander — elevaram as provisões para perdas com calotes no segundo trimestre. As reservas somaram R$ 28,7 bilhões, alta de 12,4% na comparação com o mesmo período de 2025, enquanto a carteira de crédito cresceu 9,4%, para R$ 3,37 trilhões. O Santander teve o pior balanço no segundo trimestre entre os pares, com lucro abaixo do esperado devido ao maior gasto com provisões. Dados do Banco Central citados na reportagem mostram que a inadimplência geral do sistema financeiro chegou a 4,74% em maio, pico da série histórica iniciada em 2011. Em junho, após o início do Desenrola 2.0, o indicador caiu para 4,68%, ainda bem acima da média histórica de 3,29%. O comprometimento de renda das famílias com bancos atingiu 49,93% em janeiro, também o maior valor da série desde 2005. Especialistas avaliam que a Selic a 14% e a percepção de risco fiscal pressionam o custo do crédito. A inflação de alimentos compromete mais de 23% do orçamento das famílias com renda de até um salário mínimo. Como a transmissão da política monetária é lenta, a tendência é de inadimplência estável ou em piora no segundo semestre, segundo o pesquisador do FGV IBRE Flávio Ataliba. A oferta de crédito deve continuar restrita para consumidores de baixa renda, com preferência por linhas com colateral, como consignado CLT, financiamento imobiliário e de veículos, além de operações garantidas pelos fundos FGI e FGO para pequenas e médias empresas. O mercado passou a esperar apenas uma redução de 0,25 ponto percentual da Selic, para 13,75%, e analistas ponderam que juros estruturalmente mais baixos dependem do ajuste fiscal.
FONTE ORIGINAL:
https://www.noticiasaominuto.com.br/economia/2403934/bancos-veem-piora-do-credito-e-sinalizam-aperto-nos-emprestimos-diante-da-alta-dos-calotes
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