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Análise: Há nuvens se formando no mercado de crédito – e elas ainda não estão totalmente visíveis
Publicado em: 08/08/2026 08:00
O mercado de crédito brasileiro começa a dar sinais de alerta. A inadimplência fechou junho em 4,7%, nível historicamente elevado, e os balanços de empresas mostram piora. A principal preocupação, no entanto, vem da percepção de executivos de bancos e gestores, que expressam tensão em conversas públicas e privadas, mais do que de dados objetivos. O cenário combina juros altos por período prolongado, inflação acima do esperado (em parte por efeitos da guerra no Irã), empresas com crescimento fraco, famílias endividadas e ausência de sinalização de ajuste fiscal por parte dos candidatos à Presidência. A inadimplência da pessoa física alcança 5,6%, e o endividamento das famílias ficou em 49,8% em maio, ou 31,1% excluindo financiamento imobiliário. Também merecem atenção os segmentos de PMEs e agronegócio, este último pressionado pelo El Niño. Executivos de grandes bancos já adotam posturas mais conservadoras. O Santander apresentou despesas com provisões crescendo em velocidade duas vezes maior que a carteira de crédito; o CEO do Itaú Unibanco afirmou que o comprometimento de renda das famílias permanece elevado e condicionou cortes mais consistentes da Selic a um ajuste fiscal; o Bradesco, por sua vez, viu a inadimplência subir levemente e disse priorizar linhas com garantia, com crescimento em consignado e redução do crédito pessoal sem colateral. No mercado de debêntures, o ritmo de emissões desacelerou no segundo trimestre, embora spreads e inadimplência ainda estejam controlados, sem indícios de crise. O presidente de um dos maiores bancos do país, em conversa reservada, afirma que haverá uma desalavancagem forçada da pessoa física, ainda que não se saiba o gatilho. Grandes empresas em dificuldade também devem continuar aparecendo, segundo a mesma fonte, e podem pressionar a inadimplência dos bancos. Os executivos reconhecem que os modelos de crédito evoluíram com dados e IA, e que as crises anteriores trouxeram aprendizado nas renegociações, mas a intuição dos banqueiros continua sendo considerada um sinal importante. O temor de aumento da inadimplência não significa que ele ocorrerá, mas desprezar essa sinalização não costuma ser prudente.
FONTE ORIGINAL:
https://valor.globo.com/google/amp/financas/noticia/2026/08/08/analise-ha-nuvens-se-formando-no-mercado-de-credito-e-elas-ainda-nao-estao-totalmente-visiveis.ghtml
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