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Endividamento recorde e juro elevado preocupam setores da economia
Publicado em: 09/08/2026 10:28
O endividamento das famílias brasileiras atingiu 82% em julho, patamar recorde, conforme dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O cenário ocorre com a Selic em 14%, após corte promovido pelo Copom, e com o Brasil mantendo o segundo maior juro real do mundo. O custo de crédito restritivo e o acúmulo de dívidas pressionam famílias e empresas, e executivos de diferentes setores relatam impactos em consumo, concessão de crédito e inadimplência. No varejo, o CEO da C&A, Paulo Correa, disse que o cenário macroeconômico mais desafiador pressiona o endividamento das famílias e torna a decisão de compra mais racional. Segundo ele, o custo de crédito elevado pesa no uso de caixa e reduz a flexibilidade para movimentos de longo prazo. Na construção civil, o CFO da Tenda, Luiz Maurício Garcia, afirmou que, apesar das taxas reduzidas do Minha Casa Minha Vida, o endividamento recorde pode adiar a aquisição de imóveis, pois as famílias já comprometeram renda com outros financiamentos. A Tenda registra inadimplência de 15% a 20% dos clientes e aumento da Provisão para Devedores Duvidosos (PDD) no segundo trimestre de 2026. A companhia afirma buscar reduzir a concessão de crédito sem perder margens e rentabilidade. No setor financeiro, o CEO do Bradesco, Marcelo Noronha, afirmou que a Selic em patamar elevado pressiona as margens das linhas de crédito e favorece a inadimplência. Segundo ele, uma taxa mais previsível e menor é melhor para os bancos no casamento de ativos e passivos. O Copom deixou em aberto a possibilidade de novos cortes na reunião de setembro. Para Arnaldo Lima, economista e líder de Relações Institucionais da Polo Capital, uma nova redução pode ocorrer se houver desaceleração da atividade econômica e da inflação, com o Banco Central monitorando os preços. A expectativa é de crescimento do PIB em 2026 menor do que em 2025.
FONTE ORIGINAL:
https://ecosdanoticia.net/2026/08/endividamento-recorde-e-juro-elevado-preocupam-setores-da-economia
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