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Consumo fraco, crédito caro e endividamento pressionam varejistas
Publicado em: 10/08/2026 08:43
Resultados divulgados por varejistas na semana passada indicam que a desaceleração do consumo e o aumento do endividamento das famílias pressionam o setor mais do que o esperado. O Magazine Luiza registrou prejuízo líquido ajustado de R$ 50,4 milhões no segundo trimestre de 2026, revertendo o lucro de R$ 1,8 milhão de um ano antes. A Renner afirmou que não conseguirá bater a meta de vendas para 2026, e a C&A apresentou números abaixo das expectativas dos analistas. Pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) divulgada em 6 de agosto mostra que 82% das famílias brasileiras tinham algum tipo de dívida em julho, o maior patamar da série histórica, ante 81,6% em junho. Em média, 29,5% do orçamento familiar está comprometido com dívidas, com tempo médio de comprometimento de 7,2 meses. A CNC ressalva que o endividamento não é necessariamente negativo, mas se torna preocupante quando há dificuldade para honrar pagamentos. Os dados foram divulgados um dia após o Copom reduzir a taxa Selic de 14,25% para 14% ao ano. O economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, afirma que o movimento é importante, mas os efeitos sobre as condições de crédito não são imediatos. O ambiente de juros elevados é citado entre os fatores que contribuíram para o pedido de recuperação judicial do Grupo Toky, dono da Mobly e Tok&Stok, e para a renegociação de dívidas do Pão de Açúcar com credores financeiros. No varejo, a Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE mostra alta acumulada de 1,7% no volume de vendas até maio, abaixo do crescimento de 2,4% registrado até março. O comércio de móveis acumula queda de 3,7%. A Renner reduziu a expectativa de crescimento da receita líquida de 2026 de uma faixa entre 9% e 13% para 4% a 8%, citando redução do fluxo de clientes nas lojas durante a Copa do Mundo e ambiente macroeconômico adverso. A C&A registrou lucro líquido ajustado de R$ 130,1 milhões no segundo trimestre, alta de 4,3%, mas Ebitda ajustado de R$ 435,9 milhões, queda de 0,6% ante um ano antes. O Assaí reportou lucro líquido de R$ 484 milhões, alta de 121%, mencionando inflação de alimentos e endividamento como pressões sobre o consumo. A taxa Selic é apontada como um dos principais fatores de pressão sobre o setor. No início do ano, o mercado esperava recuo para a faixa de 12%; agora projeta apenas mais uma redução de 0,25 ponto percentual, para 13,75%. Instituições financeiras observam piora nos indicadores de crédito e sinalizam maior cautela na concessão de empréstimos.
FONTE ORIGINAL:
https://diariodocomercio.com.br/negocios/varejo-em-crise-endividamento-juros-altos-impactam-vendas
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