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Bancos veem melhoria no crédito no Brasil neste ano como improvável

Publicado em: 11/08/2026 07:02
Bancos veem melhoria no crédito no Brasil neste ano como improvável
Banqueiros consideram improvável uma melhora na qualidade do crédito no Brasil nos próximos meses, diante da falta de perspectivas de queda significativa dos juros historicamente altos. A expectativa é que a Selic caia em ritmo mais lento que o projetado no início do ano, com a pressão do petróleo após a guerra no Irã reduzindo o espaço do Banco Central para cortes. O Copom reduziu a taxa em 0,25 ponto percentual na semana passada, sem dar indicações claras sobre os próximos passos. Os dados do Banco Central mostram que a inadimplência das pessoas físicas atingiu 5,6% em maio, recorde, e permaneceu no mesmo patamar em junho. O nível supera os observados na recessão de 2015-2016 e no período da pandemia. Segundo o analista do Citi Gustavo Schroden, os números não devem melhorar até o fim do ano e podem piorar em 2027. Ele atribui parte do atual amortecimento ao excesso de liquidez gerado por transferências de renda e crédito subsidiado. Os resultados do segundo trimestre refletem esse cenário. O Santander Brasil registrou queda nos resultados e maior pessimismo dos executivos. Uma análise por inteligência artificial das últimas cinco teleconferências dos maiores bancos privados aponta que o tom do Santander passou de cautelosamente otimista para pessimista. O vice-presidente financeiro, Carlos Muñiz, afirmou que as margens ajustadas ao risco não devem melhorar neste ano e que a recuperação deve ocorrer apenas no início de 2027. Itaú e Bradesco mostraram cautela com a economia, mas afirmaram estar focados na redução de riscos nas carteiras. Há fatores estruturais por trás do endividamento. O presidente do Itaú, Milton Maluhy, disse que houve excesso de crédito no mercado, que os brasileiros têm cerca de seis cartões de crédito e que os clientes ficaram superendividados; os pagamentos consomem cerca de um terço da renda mensal. No Bradesco, a estratégia é desacelerar produtos de maior risco, como cartões para clientes de menor renda. O programa Desenrola, relançado em maio, teve impacto limitado. No Santander, foi considerado de baixo efeito; no Itaú, reduziu a inadimplência em 0,02 ponto percentual, patamar imaterial. Estimativas do UBS BB indicam inadimplência de 9,8% nas renegociações do novo Desenrola, ante 3% na edição de 2023. Os bancos privados mostram ceticismo em relação à nova modalidade para trabalhadores informais. Para o Citi, o programa não trata fatores estruturais que levam os brasileiros a usar crédito como complemento de renda.
FONTE ORIGINAL:
https://www.bloomberglinea.com.br/financas/bancos-veem-melhoria-no-credito-no-brasil-neste-ano-como-improvavel
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