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Incerteza sobre contas públicas eleva parcela da dívida atrelada à Selic ao maior patamar em 20 anos

Publicado em: 14/08/2026 07:14
Incerteza sobre contas públicas eleva parcela da dívida atrelada à Selic ao maior patamar em 20 anos
O aumento das incertezas sobre a trajetória das contas públicas brasileiras e sobre o cenário internacional elevou a participação dos títulos atrelados à Selic na dívida pública federal ao maior patamar em 20 anos. Segundo o Tesouro Nacional, em junho as LFTs (Letras Financeiras do Tesouro) respondiam por 49,32% do total, percentual próximo do pico de janeiro de 2026 (49,42%) e 11 pontos percentuais acima do registrado em dezembro de 2022 (38,25%). Para investidores, as LFTs são vistas como porto seguro, com risco menor do que os prefixados e os títulos ligados à inflação. Para o Tesouro, porém, a maior concentração na Selic amplia o risco do financiamento, já que o custo da dívida fica sujeito às decisões de política monetária. O Copom elevou a taxa básica de 10,50% para 15% ao ano a partir de meados de 2024, levando a conta de juros do governo de 5,25% do PIB para cerca de 7%. Em junho, a Selic estava em 14% ao ano, mas o custo médio do estoque da dívida em 12 meses alcançou 12,68%, maior desde setembro de 2016, e o custo médio das novas emissões chegou a 14,20%, maior desde outubro de 2016. Na estratégia para os próximos dez anos, o Tesouro busca reduzir a fatia dos papéis atrelados à Selic a 23% da dívida, mas a fotografia atual é mais que o dobro disso. As LFTs já estão próximas do teto de 50% estipulado como alvo para este ano, e técnicos do órgão sinalizaram revisão da meta para acomodar participação ainda maior. Economistas e integrantes do governo ouvidos pela reportagem interpretam o movimento como sintoma do aumento da desconfiança em relação à política fiscal, e não como estratégia deliberada. A demanda por LFTs cresce em momentos de piora da perspectiva fiscal, enquanto cai a procura por prefixados e por títulos ligados à inflação. O governo atribui parte do cenário a fatores externos, como juros mais altos nos Estados Unidos e tensões geopolíticas. Na divulgação do PAF, o Tesouro apontou as condições de demanda por títulos de maior prazo como principal desafio e afirmou serem fundamentais avanços na consolidação fiscal, com reflexos na recuperação do grau de investimento e na maior participação de investidores não residentes, para alongar a dívida e convergir para o benchmark de longo prazo.
FONTE ORIGINAL:
https://thmais.com.br/giro-de-noticias/incerteza-sobre-contas-publicas-eleva-parcela-da-divida-atrelada-a-selic-ao-maior-patamar-em-20-anos
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