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Crédito em alerta: Bancos evitam clientes de baixa renda e elevam garantias em meio à piora da economia
Publicado em: 15/08/2026 10:55
Os maiores bancos do Brasil intensificaram a estratégia defensiva na concessão de crédito, priorizando operações com garantia e clientes de renda mais alta, em meio a sinais de deterioração das finanças das famílias. A postura foi evidenciada nos balanços do segundo trimestre de 2026, com Banco do Brasil, Itaú, Bradesco e Santander Brasil adotando discurso alinhado de redução da exposição a tomadores mais arriscados e ao crédito sem garantia. A analista Katherine Hennings, da consultoria BRCG, interpretou a movimentação como um reconhecimento da necessidade de maior cuidado nas concessões, refletindo preocupações com uma possível desaceleração econômica após um período de expansão sustentado pelo endividamento das famílias. O comprometimento de renda atingiu níveis recordes, em torno de 50% da renda disponível, mesmo com desemprego baixo e renda em alta. Executivos dos bancos detalharam a estratégia. O presidente do Itaú, Milton Maluhy Filho, afirmou que o volume de crédito distribuído superou a capacidade de absorção do mercado, priorizando operações com garantia. O Bradesco, segundo Marcelo Noronha, reduziu o apetite para clientes de menor renda, com carteira mais respaldada por garantias. O Santander Brasil diminuiu a exposição a tomadores com renda inferior a R$ 4 mil, citando preocupações com sustentabilidade do emprego e apoio governamental. O Banco do Brasil, por sua vez, mira crescimento no consignado público e privado, com expectativa de redução da inadimplência em 2027. A instituição também estabeleceu como prioridade aumentar em 25% o número de clientes de alto valor até 2030. O Nubank, maior banco digital, reportou alta da inadimplência acima de 90 dias para 6,9% no segundo trimestre, mas manteve crescimento de lucro, sem ver deterioração disseminada dos consumidores. A mudança de postura ocorre em um contexto de desaceleração projetada: a pesquisa Focus aponta crescimento do PIB de 1,5% em 2027, ante cerca de 2% em 2026, com o Banco do Brasil estimando expansão de apenas 1% no próximo ano. A estratégia defensiva dos bancos sinaliza preparação para um ciclo de crédito mais desafiador, com impacto potencial sobre a oferta de crédito para a população de menor renda.
FONTE ORIGINAL:
https://www.moneytimes.com.br/foco-em-garantias-e-cautela-com-baixa-renda-grandes-bancos-brasileiros-redobram-estrategia-defensiva
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