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Recuperação judicial: do sucesso do carnê à dívida bilionária, Casas Bahia inicia novo capítulo

Publicado em: 17/08/2026 16:32
Recuperação judicial: do sucesso do carnê à dívida bilionária, Casas Bahia inicia novo capítulo
A Casas Bahia apresentou pedido de recuperação judicial à Justiça de São Paulo em 16 de agosto, para renegociar R$ 17,3 bilhões em dívidas. O pedido abrange o grupo e nove subsidiárias, com R$ 16,414 bilhões em créditos sem garantia real, R$ 754,5 milhões em obrigações trabalhistas e R$ 153,8 milhões devidos a micro e pequenas empresas. A companhia afirma enfrentar a pior crise financeira desde sua fundação, em 1952, e a ação caiu 36,36% na mínima do dia, para R$ 0,42, menor cotação da história. O pedido ocorre depois de uma reestruturação iniciada em 2023, que incluiu o fechamento de 55 lojas deficitárias, a redução de cerca de 8,6 mil postos de trabalho e um corte superior a R$ 1 bilhão nos estoques. Em 2024, a varejista recorreu a recuperação extrajudicial para alongar R$ 4,8 bilhões em dívidas. No ano seguinte, a Mapa Capital converteu debêntures em ações, assumiu cerca de 85,5% do capital e reduziu a dívida corporativa em R$ 1,6 bilhão. Apesar dos avanços operacionais, a empresa seguiu dependente de crédito caro para financiar estoques, crediário e fornecedores. No segundo trimestre, a companhia registrou prejuízo líquido de R$ 10,117 bilhões e patrimônio líquido negativo em R$ 8,270 bilhões, após reconhecer R$ 9,1 bilhões em efeitos contábeis não recorrentes. Sem esses ajustes, a perda seria de R$ 978 milhões. A carteira ativa de crediário somava R$ 6,3 bilhões no período. O balanço já mostrava R$ 17,2 bilhões em fluxos futuros de passivos financeiros, incluindo obrigações com fornecedores, bancos, fundos de recebíveis e operações ligadas ao crediário e ao risco sacado. A empresa também pediu proteção contra o vencimento antecipado de contratos que somam mais de R$ 10 bilhões. A administração reduziu o tamanho da operação: fechou 298 lojas, quase 30% da rede, cortou investimentos em cerca de 40% e deixará de buscar vendas sem rentabilidade no comércio eletrônico. Entre março e junho, os estoques caíram R$ 1,160 bilhão, o que gerou R$ 798 milhões em caixa, mas elevou o risco de falta de produtos e perda de vendas. A companhia não prevê retomar o crescimento nos próximos dois anos. A recuperação judicial será usada para negociar passivos, buscar crédito de curto prazo e acelerar a monetização de ativos, incluindo R$ 6,317 bilhões em créditos fiscais e eventuais vendas de ativos não essenciais. Entre os pontos de atenção para o mercado de crédito estão a restrição de liquidez, a redução de limites por seguradoras, a dependência de financiamento para o crediário e a complexidade do passivo. Analistas do Itaú BBA e da XP colocaram suas avaliações em revisão, enquanto o BTG apontou liquidez e acesso a financiamento como principais restrições. O desafio da companhia é demonstrar que uma operação menor consegue sustentar estoques, crediário e fornecedores.
FONTE ORIGINAL:
https://www.estadao.com.br/economia/negocios/recuperacao-judicial-do-sucesso-do-carne-a-divida-bilionaria-casas-bahia-inicia-novo-capitulo
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