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Grandes bancos elevam provisões e dizem estar se preparando para ‘o pior momento’
Publicado em: 18/08/2026 22:06
Os quatro maiores bancos do Brasil — Itaú Unibanco, Bradesco, Santander e Banco do Brasil — elevaram suas provisões contra calotes ao longo de 2026, em um movimento defensivo diante da deterioração da qualidade do crédito no país. No primeiro trimestre, as quatro instituições somaram R$ 44,8 bilhões em despesas com provisões para perdas de crédito, uma alta de 33% em relação ao mesmo período de 2025. A inadimplência no crédito ao consumidor atingiu 5,6% em maio e se manteve nesse patamar em junho, segundo o Banco Central, superando os níveis registrados durante a recessão de 2015 e 2016 e também os observados durante a pandemia de Covid-19. Segundo o analista do Citigroup Gustavo Schroden, os números não devem melhorar até o fim do ano e podem piorar em 2027. O balanço do segundo trimestre reforçou o quadro de deterioração, com histórias distintas entre os bancos. No Santander, as provisões para perdas somaram R$ 7,65 bilhões, alta de 11,5% em 12 meses, pressionadas também por spreads menores que o esperado. No Banco do Brasil, o problema se espalhou do agronegócio, foco inicial das perdas, para as carteiras de pessoa física e de pequenas e médias empresas. Já o Itaú manteve os atrasos sob controle, com o menor índice de inadimplência entre os pares. O presidente do Itaú, Milton Maluhy Filho, resumiu o momento do setor durante teleconferência com analistas: "Eu acho que o ciclo do crédito vai ser desafiador", disse o executivo, que afirmou preferir abrir mão de crescimento e participação de mercado a ampliar o risco das operações concedidas pelo banco. O endividamento das famílias brasileiras atingiu 49,9% em fevereiro, patamar recorde da série histórica iniciada em 2005, igualando o pico observado em julho de 2022. Segundo o Banco Central, o índice de provisões sobre o total da carteira de crédito do sistema financeiro subiu para 8% em maio, ante 7,2% um ano antes, sinalizando o reforço dos colchões de proteção das instituições diante do cenário mais adverso. Além da deterioração doméstica, o setor bancário também passou a monitorar fatores externos, como os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre o preço do petróleo e a manutenção da taxa Selic em 15% ao ano, que encarece o crédito e reduz a capacidade de pagamento de famílias e empresas. Bancos digitais como Nubank e Inter também entraram no radar de analistas, por concentrarem parte relevante das carteiras em crédito pessoal sem garantia e clientes de renda mais baixa, segmento mais suscetível à inadimplência em momentos de aperto na renda.
FONTE ORIGINAL:
https://www.conexaopolitica.com.br/politica/grandes-bancos-elevam-provisoes-e-dizem-estas-se-preparando-para-o-pior-momento
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