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Crédito imobiliário pode ficar mais caro com novo modelo de captação de recursos
Publicado em: 18/08/2026 17:30
O novo modelo de crédito imobiliário brasileiro, que reduz a dependência dos bancos em relação à poupança, pode aumentar a pressão sobre os juros cobrados dos compradores de imóveis em períodos de taxas elevadas. A mudança, implementada de forma gradual com vigência plena em 2027, prevê a substituição progressiva da poupança por instrumentos do mercado de capitais, como letras imobiliárias, após discussões entre governo, bancos e setor da construção. Gilneu Vivan, diretor de Regulação do Banco Central, afirmou que os primeiros resultados do período de testes são animadores, com reversão da queda nas concessões de crédito imobiliário e aumento nas operações nos primeiros meses. O objetivo é criar incentivos para que o mercado se reorganize e busque a substituição gradativa da poupança como funding primário do crédito imobiliário. Um dos principais desafios é a definição dos indexadores dos contratos de financiamento no novo modelo. Enquanto as instituições desejam um indexador que permita gestão de risco eficiente, o tomador busca previsibilidade nas prestações. Michel Cury, presidente da Abecip e diretor de crédito imobiliário do Itaú, destacou que um funding de mercado está exposto à volatilidade, o que tende a exercer pressão sobre o custo dos financiamentos. O Banco Central alertou para o risco de o custo do financiamento habitacional subir à medida que os bancos dependam mais do mercado de capitais. O SFH tem hoje um limite de juros de 12% ao ano sobre o indexador, regra que pode representar desafio em períodos de taxas mais elevadas. Pelo novo modelo, 80% dos recursos deverão ser destinados a operações enquadradas no SFH, com a poupança mantendo papel complementar. A mudança ocorre em momento de demanda forte por crédito imobiliário, com concessões de R$ 180,9 bilhões no primeiro semestre, alta de 23% em relação ao mesmo período de 2025. A poupança acumulou retirada líquida de R$ 273 bilhões nos últimos cinco anos, enquanto a carteira de crédito imobiliário vinculada ao SBPE alcançou R$ 601 bilhões, equivalente a 121% dos recursos direcionáveis da poupança. O Banco Central manterá o modelo sob avaliação e poderá fazer ajustes durante sua implementação. Inês Magalhães, vice-presidente de Habitação da Caixa, afirmou que FGTS e SBPE permanecem fundamentais para o financiamento habitacional, embora não sejam suficientes para sustentar sozinhos sua expansão, citando também fatores como participação do financiamento no PIB, questões regulatórias e procedimentos cartoriais.
FONTE ORIGINAL:
https://www.noticiasaominuto.com.br/economia/2406550/credito-imobiliario-pode-ficar-mais-caro-com-novo-modelo-de-captacao-de-recursos
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