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9 milhões de empresas inadimplentes expõem ciclo que pode travar crédito e investimento
Publicado em: 18/08/2026 14:59
Mais de 9 milhões de empresas brasileiras estavam inadimplentes em maio de 2026, segundo dados da Serasa Experian citados na reportagem. O número recorde coloca em evidência uma combinação de fatores que preocupa o setor produtivo: menor capacidade de pagamento, crédito caro e decisões de investimento adiadas. As dívidas acumuladas somavam R$ 229,9 bilhões, com média de R$ 25.494,08 por CNPJ negativado. O economista Sérgio Melo, membro da Academia Cearense de Economia, atribui o avanço da inadimplência a um conjunto de fatores que vão além dos juros elevados. Entre eles, estão incertezas fiscais, restrições de crédito, custos operacionais crescentes, aumento da carga tributária e insegurança jurídica. Segundo ele, esse cenário reduz a capacidade de pagamento das empresas. A reportagem destaca um efeito potencialmente cíclico: o crescimento da inadimplência pode aumentar a restrição de crédito, atingindo inclusive empresas que continuam pagando seus compromissos. Dados do Banco Central mostram que a inadimplência representou 36,61% do spread do crédito em 2025, ante 33,79% em 2024, tornando-se o maior componente na decomposição da autoridade monetária. O texto ressalva que os indicadores possuem bases e períodos diferentes e não permitem relação direta de causa e efeito. O fenômeno não se restringe a pequenos negócios. A reportagem cita casos recentes de recuperação judicial, como Casas Bahia e Marabraz em agosto de 2026, e o Grupo Toky, controlador de Tok&Stok e Mobly, com processo deferido em junho. O economista observa crescimento das recuperações judiciais em diferentes portes e setores, incluindo o agronegócio, embora cada processo tenha causas próprias e o instrumento não seja sinônimo de inadimplência. Diante do ambiente adverso, a recomendação de Sérgio Melo para empresas em dificuldade é preservar caixa e adiar investimentos. Quando esse comportamento se dissemina, há consequência macroeconômica: empresas que deixam de investir reduzem o crescimento econômico. O Banco Central, no Relatório de Estabilidade Financeira de maio de 2026, avaliou que o Sistema Financeiro Nacional permanece preparado para a materialização do risco de crédito, com níveis adequados de capital, liquidez e provisões.
FONTE ORIGINAL:
https://economicnewsbrasil.com.br/2026/08/18/empresas-inadimplentes-credito-brasil
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