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Reestruturação de dívida deixa de ser "patinho feio" do mercado
Publicado em: 18/08/2026 12:23
O mercado brasileiro de reestruturação de dívidas atingiu um novo patamar de maturidade, deixando de ser visto como um nicho marginal para se tornar uma atividade especializada e atraente para investidores. A avaliação foi feita por especialistas durante evento do Santander, em meio ao recorde de pedidos de recuperação judicial em 2025, conforme dados da Serasa Experian. A mudança cultural é apontada como um dos principais avanços. Segundo Ivo Waisberg, sócio fundador da TWK Advogados, o mercado passou a reconhecer a recuperação de empresas como uma área profissional dedicada, com fundos especializados e uma cadeia de serviços que antes não existia. Na legislação anterior a 2005, o tema era restrito a advogados de contencioso e compradores de ativos em leilão. A legislação atual também oferece instrumentos de crédito e garantias mais vantajosos em comparação com outros países, como a alienação fiduciária, que não existe no Chile, conforme destacou Marcelo Mifano, sócio da Vinci Partners. Esse arcabouço legal ampliou as possibilidades para credores e investidores recuperarem recursos. Outro avanço significativo é o desenvolvimento do mercado secundário de crédito e equity em recuperações judiciais, além do interesse crescente de gestoras em financiamentos do tipo debtor in possession (DIP). Para Renato Carvalho, fundador da Laplace, esse mercado permite que fundos com estratégias e prazos distintos negociem créditos e participações que antes tinham pouca liquidez. Apesar dos avanços estruturais, o cenário econômico segue desafiador. Camila Abdelmalack, economista da Serasa Experian, alertou para a persistência de juros elevados e condições de crédito ainda deterioradas, descrevendo o momento como uma 'bomba-relógio' no lado do crédito. A especialista ressaltou que, sem perspectiva de queda nas taxas, a reversão do quadro é difícil. A velocidade na tomada de decisão é apontada como fator crítico para o sucesso das reestruturações. Segundo os especialistas, empresas que demoram a reagir aos primeiros sinais de crise tendem a buscar soluções paliativas e aprofundar seus problemas, enquanto os casos bem-sucedidos são aqueles em que as decisões são tomadas rapidamente.
FONTE ORIGINAL:
https://neofeed.com.br/negocios/reestruturacao-de-divida-deixa-de-ser-patinho-feio-do-mercado
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