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Grandes bancos se blindam contra cenário econômico turvo e ampliam provisão contra calotes

Publicado em: 18/08/2026 05:30
Grandes bancos se blindam contra cenário econômico turvo e ampliam provisão contra calotes
Os principais bancos do Brasil reforçaram suas estratégias para enfrentar a deterioração do mercado de crédito, ampliando as provisões contra devedores duvidosos (PDD). No primeiro semestre, Banco do Brasil, Bradesco, Itaú Unibanco e Santander separaram R$ 91,082 bilhões em provisões, um crescimento de 23% em relação ao mesmo período do ano anterior, descontando valores recuperados de créditos já baixados, fórmula conhecida como custo de crédito. A piora na qualidade dos ativos está concentrada no agronegócio, que enfrenta volatilidade nos preços de insumos e o impacto de um El Niño severo. Há também sinais de pressão em carteiras de pessoas físicas, especialmente na baixa renda. Programas governamentais de renegociação, como o Desenrola, tiveram efeito limitado na qualidade dos ativos. No Santander, a inadimplência acima de 90 dias fechou junho em 3,3%, alta de 0,7 ponto percentual ante o ano anterior. O diretor financeiro da instituição, Carlos Muñiz, reconheceu o impacto do ambiente macroeconômico e indicou que a melhora na PDD pode ocorrer apenas no início de 2027. O banco promove rotação da carteira para linhas mais seguras, com foco na alta renda. O Banco do Brasil enfrenta desafios na carteira rural, com inadimplência de 5,61% em junho. O CFO Geovanne Tobias atribuiu parte do problema ao risco moral gerado pela Medida Provisória de repactuação de R$ 100 bilhões em débitos rurais, que incentivou produtores a suspender pagamentos. O banco desembolsou R$ 18,5 bilhões em provisões no segundo trimestre, alta de 16,1% em base anual. Bradesco e Itaú Unibanco mostraram maior resiliência. O Bradesco viu atrasos aumentarem em parte devido a programas de crédito para PMEs com garantia do governo, mas o CEO Marcelo Noronha afirmou que isso não preocupa. O Itaú manteve a inadimplência estacionada em 1,9%, com expectativa de leve alta no terceiro trimestre antes de estabilizar. Analistas apontam para uma piora no ciclo de crédito, com inflação pressionando famílias e juros elevados afetando empresas. A abordagem cautelosa dos bancos reflete a escalada da inadimplência e a percepção de risco mais elevada, levando a uma oferta de crédito mais restritiva.
FONTE ORIGINAL:
https://www.estadao.com.br/economia/grandes-bancos-blindam-cenario-economico-turvo-ampliam-provisao-calotes
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