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Juros altos e endividamento familiar: por que cresceu o número de empresas em recuperação judicial no Brasil?

Publicado em: 18/08/2026 04:58
Juros altos e endividamento familiar: por que cresceu o número de empresas em recuperação judicial no Brasil?
O número de empresas em recuperação judicial no Brasil cresceu, e o movimento é interpretado por especialistas como resultado de um processo acumulado, que inclui juros elevados, desaceleração da atividade econômica e endividamento das famílias. A análise foi feita após os pedidos de recuperação judicial das varejistas Casas Bahia e Marabraz no mesmo fim de semana, o que indica um cenário mais amplo do que casos pontuais. Dados da Serasa Experian mostram que somente em abril foram registrados 60 processos de recuperação judicial envolvendo 141 CNPJs diferentes. Entre os setores, serviços lideram a lista com 45 empresas, seguido por comércio (43), agropecuária (31) e indústria (22). A economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmack, aponta que a Selic acima de 14% por um período prolongado encarece o custo do crédito, pressiona o fluxo de caixa e reduz a capacidade das empresas de recompor seu equilíbrio financeiro. Com isso, uma parcela maior da receita é destinada ao serviço da dívida, diminuindo a capacidade de investimento e aumentando a vulnerabilidade financeira. O endividamento das famílias também afeta a demanda por bens e serviços, pois compromete a renda disponível para consumo, impactando diretamente o faturamento de empresas, especialmente nos segmentos dependentes da demanda doméstica, como comércio e serviços. O impacto tende a ser maior em empresas que já apresentam fragilidades financeiras, baixa geração de caixa ou elevado endividamento. A recuperação judicial é um procedimento para empresas em crise econômico-financeira, mas ainda capazes de operar. Durante o período, as dívidas são congeladas por 180 dias e negociadas coletivamente perante o judiciário. Especialistas alertam que o sucesso depende de a empresa honrar o plano e manter a atividade produtiva, e que o erro mais comum é tratar o plano como peça jurídica, não como plano de negócios, além de buscar novos recursos, um desafio dado o risco de conceder crédito a empresas em recuperação.
FONTE ORIGINAL:
https://www.terra.com.br/economia/juros-altos-e-endividamento-familiar-por-que-cresceu-o-numero-de-empresas-em-recuperacao-judicial-no-brasil,db62fa1b51c2a0db0170f6cace3e0b444wxs2g4o.html
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