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Nova regra do Banco Central ‘infla’ calotes e asfixia crédito a PMEs, mostra estudo
Publicado em: 19/08/2026 05:00
As micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) brasileiras concentram quase nove em cada dez reais dos empréstimos do setor em atraso no país. Em junho de 2026, dos R$ 85,1 bilhões de crédito concedido a empresas sem pagamento há mais de 90 dias, as MPMEs respondiam por R$ 75,6 bilhões, o equivalente a 88,9% do total. O índice de inadimplência do segmento atingiu 5,71%, contra 0,66% das grandes companhias, uma diferença de 5,05 pontos percentuais, uma das maiores registradas pelo Banco Central desde agosto de 2017. Segundo estudo da Safegold, divulgado com exclusividade pelo InfoMoney, o peso das menores no saldo devedor ocorre mesmo com uma divisão equilibrada na concessão: elas respondem por 48% do saldo da carteira de pessoas jurídicas, enquanto as grandes ficam com os 52% restantes. A análise considera tanto atrasos efetivos quanto potenciais, que entram no balanço dos bancos após mudança regulatória. A Resolução CMN nº 4.966, em vigor desde o início de 2025, obrigou os bancos a substituírem o modelo de reconhecimento de perda incorrida pela metodologia de perda esperada. Na prática, a instituição financeira precisa provisionar recursos para cobrir eventuais prejuízos a partir de indicativos de risco futuros, em vez de esperar o atraso de 90 dias. Segundo o Banco Central, 70% do aumento de 0,78 ponto percentual na taxa de inadimplência do sistema financeiro até junho de 2025 tem origem nessa mudança contábil. Sob a nova regra, o banco deve monitorar a operação durante toda a sua vigência. Se uma empresa com contas em dia pedir renegociação de parcelas ou sofrer alterações societárias que desestabilizem as contas, o credor é obrigado a acender um alerta, podendo reclassificar o risco e provisionar até 100% da dívida como ativo problemático. Os outros 30% da alta decorrem do cenário econômico, segundo a diretora jurídica da Safegold, Silvia Wilbert. Para se proteger de atrasos, os bancos costumam aumentar o spread bancário, precificando o risco de inadimplência com juros mais altos para as MPMEs, que não têm garantias robustas de pagamento. Um levantamento da Safegold com 300 empresas de médio e grande porte da região Sul aponta que mais de 63% não sabem a taxa efetiva de juros que pagam aos bancos e 75% dos empresários não têm clareza sobre os próprios números financeiros. Com credores mais rigorosos, o mercado secundário de dívidas estressadas (non-performing loans) deve assumir parcela expressiva das carteiras de risco. Pesquisa da Deloitte indica intenções de venda de R$ 52,3 bilhões para 2026. As projeções apontam para continuidade da pressão, com Selic em 14% ao ano e complexidades da reforma tributária, incluindo o split payment, que drenará capital de giro.
FONTE ORIGINAL:
https://www.infomoney.com.br/economia/inadimplencia-mpmes-credito-em-atraso-brasil
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