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R$ 3,6 bilhões em renegociação de dívidas rurais poderiam ampliar seguro agrícola, aponta FGV
Publicado em: 20/08/2026 13:45
Estudo do Centro de Estudos em Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (FGV-Agro) estima que o impacto fiscal anual das renegociações de dívidas rurais, calculado em R$ 3,6 bilhões pelo governo federal, poderia gerar até R$ 112,6 bilhões em importância segurada se aplicado ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). A análise não propõe substituir a renegociação pelo seguro rural, mas busca demonstrar o custo de oportunidade e defender políticas preventivas para reduzir o risco de novos ciclos de endividamento entre produtores. Com base nos números do PSR de 2025, os pesquisadores estimaram que o mesmo montante aplicado na subvenção poderia alcançar 20,47 milhões de hectares, cerca de 398 mil apólices e R$ 10,16 bilhões em prêmios. O estudo alerta para o risco de uma "renegociação da renegociação", apontando que, sem mudanças na estrutura de proteção, novos eventos climáticos ou choques de mercado podem converter novamente perdas em inadimplência, prorrogação, recuperação judicial ou pressão fiscal. A Medida Provisória 1.376/2026 é vista como resposta emergencial, mas os especialistas defendem que a política seja acompanhada de estratégia de gestão de riscos. A pesquisa também destaca a redução da cobertura do seguro rural: em 2025, o PSR alcançou 3,3 milhões de hectares e R$ 18,1 bilhões em importância segurada, com subvenção de R$ 581,1 milhões. Os pesquisadores recomendam recuperar ao menos os níveis de 2021, quando o programa atingiu 14,23 milhões de hectares segurados, com dotação estável para autorização, empenho, pagamento e calendário de distribuição. Os especialistas ressaltam que a expansão do seguro não seria automática, dependendo da capacidade de seguradoras e resseguradoras e da demanda dos produtores. Também há incertezas sobre a trajetória do impacto fiscal das renegociações, já que o valor de R$ 3,6 bilhões pode variar conforme o ritmo de amortização das dívidas. A conclusão é que as duas políticas atuam em momentos diferentes: a renegociação trata perdas já ocorridas, enquanto o seguro rural protege antes dos choques.
FONTE ORIGINAL:
https://oestadoonline.com.br/cidades/r-36-bilhoes-em-renegociacao-de-dividas-rurais-poderiam-ampliar-seguro-agricola-aponta-fgv
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