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De mina de ouro a risco bilionário: a virada do varejo para as seguradoras

Publicado em: 20/08/2026 12:30
De mina de ouro a risco bilionário: a virada do varejo para as seguradoras
A recuperação judicial do Grupo Casas Bahia, com R$ 17,3 bilhões em dívidas, colocou o setor de seguros no centro de uma das maiores reestruturações empresariais recentes do país. A Zurich Seguros figura entre os maiores credores da varejista, com aproximadamente R$ 1,98 bilhão a receber, ocupando a terceira posição na lista de credores, atrás do Banco Digio (R$ 3,28 bilhões) e do Banco do Brasil (R$ 2,99 bilhões). A maior parcela da dívida, R$ 16,4 bilhões, está concentrada entre credores quirografários, sem garantia real. A exposição da Zurich remonta a outubro de 2014, quando a Zurich Minas Brasil Seguros firmou com a então Via Varejo um dos maiores acordos de distribuição de seguros massificados do mercado brasileiro. A seguradora assumiu a venda exclusiva de garantia estendida nas lojas de Casas Bahia e Ponto Frio, desembolsando R$ 850 milhões pela exclusividade e antecipação de comissões. Na ocasião, a expectativa era gerar mais de R$ 1,3 bilhão em prêmios apenas no primeiro ano da parceria. Segundo fontes, o crédito relacionado na recuperação judicial decorre de valores vinculados à antiga operação de distribuição e às antecipações realizadas, após a performance comercial ficar abaixo do previsto. O caso ilustra a importância que os balcões de varejo tiveram como ativos estratégicos para seguradoras, que disputavam canais de distribuição em massa desde os anos 1990. O modelo, baseado em baixo tíquete e enorme volume, permitiu que seguradoras oferecessem produtos como garantia estendida, prestamista e seguros contra roubo e furto. O Magazine Luiza, por exemplo, fundou a Luizaseg em 2005 com a BNP Paribas Cardif, encerrando a sociedade em 2023 com a venda de sua participação por R$ 160 milhões. A transformação digital, porém, reduziu o valor estratégico do balcão físico, com a disputa migrando para aplicativos, carteiras digitais e marketplaces. A recuperação judicial da Casas Bahia também produz efeitos disseminados sobre o mercado de seguro de crédito. A Positivo Tecnologia informou possuir aproximadamente R$ 19 milhões em recebíveis da varejista, protegidos por seguro de crédito contratado com duas seguradoras. Já a Multi, antiga Multilaser, anunciou provisão adicional de R$ 20 milhões para possíveis perdas, correspondente à parcela dos recebíveis não protegida por apólices. O episódio da Americanas, em janeiro de 2023, já havia colocado o seguro de crédito sob os holofotes, com estimativas de que entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões dos recebíveis de fornecedores poderiam estar protegidos. O caso Casas Bahia não pode ser analisado isoladamente, já que grandes redes varejistas brasileiras estão renegociando cerca de R$ 68 bilhões em dívidas por meio de recuperações judiciais e extrajudiciais. Americanas, Dia, Polishop, Grupo Pão de Açúcar, Casa & Vídeo, Tok&Stok e Marabraz estão entre os casos que colocaram o endividamento do setor no radar de bancos, fornecedores e seguradoras. Juros elevados são uma das principais pressões, pois o varejo depende intensamente de financiamento para comprar estoques, conceder crédito aos consumidores e financiar capital de giro. Para seguradoras de crédito, isso significa revisar limites e precificação, enquanto empresas sem proteção absorvem o prejuízo diretamente no balanço.
FONTE ORIGINAL:
https://www.sonhoseguro.com.br/2026/08/de-mina-de-ouro-a-risco-bilionario-a-virada-do-varejo-para-as-seguradoras
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