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Provisões dos bancões saltam a R$ 47 bi e acendem alerta
Publicado em: 20/08/2026 08:13
As provisões para calotes (PDD) dos grandes bancos brasileiros saltaram de R$ 40 bilhões para R$ 47 bilhões no segundo trimestre de 2026, segundo levantamento da Elos Ayta. O movimento ocorre em um trimestre em que Bradesco, Itaú, Santander, Banco do Brasil e BTG lucraram R$ 30 bilhões, alta de 11,1% na comparação anual, sinalizando que a rentabilidade ainda resiste, mas o colchão contra inadimplência está sendo reforçado. O Bank of America aponta que as provisões cresceram acima das carteiras de empréstimos nos últimos trimestres, resultando em custo do risco sequencialmente maior. Para o banco, o movimento sugere maior probabilidade de inadimplência à frente. A qualidade do crédito ao consumidor piorou no segundo trimestre, com os NPLs avançando 20 pontos-base sobre o trimestre anterior e 50 pontos-base no acumulado do ano, mesmo com o programa Desenrola. O cenário que pressiona os balanços tem raízes na renda das famílias e no caixa das empresas. O endividamento das famílias atingiu nível recorde em julho, ao chegar a 82%. O número de companhias em recuperação judicial saltou 65,8% entre o segundo trimestre de 2023 e o mesmo período deste ano, com alta de 20,4% no varejo em 12 meses. Casas Bahia e Marabraz recorreram à Justiça para pedir recuperação judicial, com dívidas que ultrapassam R$ 18 bilhões. A inadimplência das empresas, que era de 1,5% em 2020, está hoje em 4%. Instituições com maior exposição a clientes de baixa renda ou carteiras mais concentradas, como Santander, Porto e operações de varejistas, tiveram os maiores aumentos no custo do risco. O Porto Bank viu o lucro líquido cair 32,5%, para R$ 137,8 milhões, enquanto as perdas com crédito somaram R$ 868 milhões, alta de 67%. Já Itaú e Bradesco mantiveram o custo do risco relativamente estável, apoiados em carteiras mais diversificadas. Nubank e Mercado Livre aparecem como exceções, com custo do risco melhorando apesar da deterioração da qualidade dos ativos. O Itaú lucrou R$ 12,4 bilhões no segundo trimestre, alta de 7,8% na comparação anual, com carteira de crédito crescendo cerca de 10%, com destaque para linhas de menor risco. O banco reduziu quase pela metade a previsão de crescimento das receitas com tarifas e seguros em 2026, de 5% a 9% para 2% a 5%, e cortou a projeção de crescimento do PIB de 2026, de 2,1% para 1,9%. O Bradesco registrou lucro recorrente de R$ 7,1 bilhões, alta de 16,2% na comparação anual, com estratégia baseada em expansão disciplinada e postura seletiva na concessão de crédito. O Banco do Brasil reportou lucro líquido ajustado de R$ 3,9 bilhões no 2T26, alta de 3,3% em 12 meses, mas a inadimplência do cartão de crédito saltou de 7% para 15% em apenas um trimestre. A inadimplência acima de 90 dias chegou a 5,61%, com o indicador entre pessoas físicas subindo 159 pontos-base, para 8,41%, e entre micro, pequenas e médias empresas alcançando 9,7%. No agronegócio, a inadimplência da carteira rural atingiu 6,27%. A combinação de juros altos, famílias mais endividadas e empresas recorrendo à recuperação judicial deve manter o ambiente de crédito desafiador, com a qualidade das carteiras como principal termômetro para o setor.
FONTE ORIGINAL:
https://www.spacemoney.com.br/investimentos/acoes/provisoes-bancos-calotes
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