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Crédito ao endividado segura inadimplência, dizem economistas

Publicado em: 22/08/2026 11:02
Crédito ao endividado segura inadimplência, dizem economistas
Manter linhas de crédito ativas para consumidores com alto estoque de dívida funciona como um colchão contra a deterioração da inadimplência, avaliam os economistas do PicPay Ariane Benedito e Matheus Pizzani. Em análise recente, a dupla concluiu que uma interrupção repentina da oferta de recursos, por bancos ou fintechs, teria efeito inverso ao desejado: provocaria escalada do calote ao eliminar a ferramenta que hoje permite ao devedor se manter em dia. O diagnóstico parte do comportamento do tomador brasileiro, que recorre a uma engenharia financeira para honrar compromissos: quita um cartão com outro, toma crédito em uma instituição para pagar obrigação em outra e sustenta uma aparência de regularidade com orçamento comprometido. Esse arranjo, ainda que precário, segura as estatísticas de atraso e mantém o consumidor no radar de risco sem migrar para a inadimplência formal. A economista Ariane Benedito classifica como "crédito sujo" as linhas emergenciais e líquidas do crédito livre, como rotativo do cartão e cheque especial. São produtos de alto custo, com qualidade de carteira considerada péssima sob o ponto de vista qualitativo, mas que desempenham papel crucial na prevenção do calote. A expansão da bancarização por fintechs e bancos digitais ampliou o acesso ao sistema, mas também elevou o comprometimento de renda das famílias e a exposição ao superendividamento. Diante desse cenário, a recomendação é evitar soluções radicais. Interromper a oferta de crédito ao endividado equivaleria a um "tiro de misericórdia" na capacidade de pagamento do consumidor. Os economistas defendem diferenciar endividamento, administrável com políticas de concessão criteriosas, de inadimplência, que representa a ruptura da capacidade de pagamento. Também apontam que programas de renegociação como o Desenrola tratam o sintoma, não a causa estrutural, e tendem a se repetir. No debate sobre spreads, a avaliação é que pressões por redução de juros desconsideram o risco embutido nas carteiras: não seria viável baratear o crédito enquanto o risco permanecer elevado, e uma retração forçada da oferta aceleraria a migração de tomadores para a inadimplência. No PicPay, o tema chegou ao comitê financeiro, com foco em calibrar a velocidade da concessão sem provocar um acidente de percurso.
FONTE ORIGINAL:
https://www.spacemoney.com.br/credito/credito-ao-endividado-inadimplencia-picpay-2
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