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De Casas Bahia a Habib’s: o que explica a nova onda de recuperações
Publicado em: 29/08/2026 07:01
O ciclo de juros elevados no Brasil, iniciado em 2021, continua impactando o endividamento corporativo e a capacidade de refinanciamento em 2026, levando a um aumento de pedidos de recuperação judicial e extrajudicial. Segundo análise de especialista, o movimento de estresse financeiro é acumulado e decorre de um período prolongado com crédito caro, carga tributária elevada e margens comprimidas. A taxa Selic, que atingiu 15,00% em junho de 2025, está em 14,00% desde agosto de 2026, após um ciclo de reduções. O custo mais alto do dinheiro e a menor disposição de refinanciamento forçam empresas com passivos de curto prazo a buscarem renegociações ou reestruturações formais. Grandes empresas de diferentes setores figuram entre os novos casos de 2026. A Braskem protocolou recuperação extrajudicial para reestruturar US$ 10,9 bilhões em obrigações. O Grupo Casas Bahia entrou com recuperação judicial para cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas. O GPA buscou recuperação extrajudicial para R$ 4,5 bilhões. O fenômeno atinge também empresas de capital fechado. O Grupo Gennius, controlador das redes Habib’s e Ragazzo, e a Marabraz iniciaram processos de recuperação judicial com dívidas declaradas de R$ 265,2 milhões e R$ 140 milhões, respectivamente. Cada pedido de recuperação sinaliza fragilidade financeira acumulada e tem impactos difusos. Para o mercado de crédito privado, aumenta a seletividade, os spreads e reduz a liquidez para emissões futuras. Para a empresa, o processo congela dívidas, mas exige cortes agressivos e pode resultar em restrições adicionais de crédito. A análise indica que a dor setorial pode persistir mesmo com a redução gradual dos juros, já que as decisões de política monetária consideram agregados macroeconômicos e não casos isolados. A gestão ativa de caixa, a negociação antecipada com credores e o monitoramento dos sinais fiscais são apontadas como medidas práticas para empresas e investidores.
FONTE ORIGINAL:
https://bmcnews.com.br/empresas-e-negocios/juros-altos-2026-legado-da-selic-a-13-75-nas-empresas
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