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Judicialização de dívidas bate recorde e passa de 1,2 milhão ações; especialistas veem crédito fácil, bets e endividamento entre as causas
Publicado em: 31/08/2026 00:00
As cobranças judiciais de dívidas privadas atingiram recorde em 2025, com 1,2 milhão de novos processos de execução, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A série histórica mostra crescimento contínuo desde 2020, refletindo um cenário de endividamento elevado das famílias brasileiras, que atingiu 80,4% dos lares em março de 2026. Especialistas apontam a ausência de uma cultura consolidada de renegociação global antes da ação judicial como fator agravante. A execução é vista como último recurso, após tentativas de recebimento em vão. O modelo de feirões e acordos isolados pode não resolver o superendividamento, pois não considera o conjunto de dívidas do consumidor. O crescimento das ações ocorre em paralelo a programas de renegociação do governo federal e à regulamentação de modalidades de crédito como o Consignado CLT com garantia de FGTS. Especialistas alertam que a renegociação pode aliviar o orçamento no curto prazo, mas não resolve a raiz do problema se vier acompanhada de nova concessão de crédito sem análise adequada da capacidade de pagamento. O texto destaca que o excesso de concessão de crédito, o uso de empréstimos e o crescimento das apostas esportivas (bets) contribuem para o agravamento do superendividamento. A Lei 14.181/2021 (Lei do Superendividamento) impõe a bancos e financeiras o dever de avaliar a real capacidade de pagamento do consumidor antes de contratar. No âmbito empresarial, o cenário de juros altos e spread bancário elevado também pressionam empresas e produtores rurais. Processos de falência em São Paulo duram, em média, mais de 16 anos, e os credores recebem, em média, apenas 6,1% do valor originalmente devido. A maioria dos pedidos de falência é feita pelos próprios credores, incluindo instituições financeiras.
FONTE ORIGINAL:
https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/08/31/judicializacao-de-dividas-recorde.ghtml
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