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Varejo com dívida a 12,3% da receita: por que Selic menor alivia pouco

Publicado em: 06/09/2026 14:22
Varejo com dívida a 12,3% da receita: por que Selic menor alivia pouco
Um estudo da consultoria Málaga & Associados, analisando 30 empresas varejistas listadas na B3, revela que as 15 companhias mais pressionadas por dívidas comprometem 12,3% da receita líquida apenas com despesas financeiras em 2026. Esse patamar é mais que o dobro de uma margem operacional de referência de 5,3%, calculada a partir das empresas com as maiores margens da amostra. A pesquisa aponta uma distância crescente entre dois grupos de empresas desde 2018, influenciada pela estrutura de capital e pelo modelo de negócio, e não apenas pela taxa básica de juros. O levantamento destaca que a pressão financeira se intensificou a partir de 2020, quando o custo financeiro médio do grupo mais pressionado superou a margem operacional de referência e permaneceu acima dela. Para 2026, as despesas financeiras nesse grupo variam de 4,8% a 23% da receita, com casos como a CVC, cujos encargos saltaram de 7,7% para 23% da receita desde 2018, contra uma margem operacional média de 4,9%. Em contraste, o grupo menos pressionado mantém despesas financeiras entre 1,3% e 4,7% da receita, patamar que é coberto por suas margens operacionais. A análise dimensiona a diferença entre empresas varejistas. Enquanto a Lojas Renner apresenta despesa financeira de 1,6% da receita contra margem operacional de 10%, a Marisa registra 19% de despesa financeira contra margem de 2,3%. Casos como o do Grupo Casas Bahia, que registrou despesa de 8,3% com margem de 1,6%, ilustram cenários onde a operação não gera excedente para cobrir o custo da dívida. O estudo da Málaga adverte que uma eventual redução da Selic não deve ser vista como solução homogênea para todas as empresas. A consultoria destaca que a estrutura de capital e o modelo de negócio explicam a distância entre as empresas tanto quanto o ambiente de juros. Empresas com alavancagem contratada em condições menos flexíveis e margens operacionais mais baixas tendem a amplificar o efeito de qualquer alta de taxa de juros. A pesquisa avalia que empresas no grupo mais pressionado não deveriam planejar sua recuperação contando com a volta a juros excepcionalmente baixos. A Málaga defende a redução da alavancagem antes que eventuais restrições de liquidez diminuam as alternativas, citando caminhos como venda de ativos, aporte de capital, conversão de dívida, renegociação e processos de recuperação. O episódio recente da recuperação judicial do Grupo Casas Bahia, com passivos de R$ 17,3 bilhões, é citado como exemplo.
FONTE ORIGINAL:
https://www.ativovirtual.com.br/avnews/artigos/varejo-com-divida-a-123-da-receita-por-que-selic-menor-alivia-pouco
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