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Com Selic a 14%, despesas financeiras das empresas saltam 12% no 2º trimestre e somam R$ 99 bilhões
Publicado em: 07/09/2026 09:00
O segundo trimestre de 2026 evidenciou o impacto direto da taxa Selic, em 14% ao ano, sobre as finanças corporativas. Um levantamento da consultoria Elos Ayta com 268 empresas de capital aberto listadas na B3 apontou que as despesas financeiras totais dessas companhias saltaram 12,09% na comparação anual, totalizando R$ 99,4 bilhões. Esse custo adicional de R$ 10,7 bilhões no serviço da dívida consumiu caixa e limitou a conversão de bons resultados operacionais em lucro. Embora o lucro antes de juros e impostos (EBIT) do conjunto de empresas analisadas tenha crescido quase 25%, alcançando R$ 123,9 bilhões, o lucro líquido consolidado teve alta modesta de apenas 3,9%, passando de R$ 48,9 bilhões para R$ 50,8 bilhões. A discrepância destaca como o ambiente de juros elevados corroem os balanços mesmo com desempenho operacional sólido. A disparidade de desempenhos entre setores e empresas foi marcante. No varejo, a Casas Bahia reportou prejuízo líquido contábil de R$ 10,1 bilhões e enfrenta um plano de reestruturação com fechamento de lojas e pedido de recuperação judicial para renegociar R$ 28,3 bilhões em compromissos. No setor bancário, o Banco do Brasil aumentou provisões contra perdas na carteira de crédito ao agronegócio, onde a inadimplência atingiu 6.3%, o dobro da taxa observada no crédito para pessoas jurídicas. A evolução da alavancagem também variou. Um levantamento da XP com 135 companhias mostrou que o nível médio de alavancagem, medido pela razão dívida líquida/EBITDA, caiu de 1,7x para 1,4x nos últimos quatro trimestres. Contudo, empresas com endividamento elevado sofreram impactos desproporcionais, gerando resultados opostos até mesmo entre concorrentes diretos do mesmo segmento, como no setor de construção civil. A desaceleração do PIB, que cresceu apenas 0.5% no trimestre, combinou-se com a política monetária restritiva para pressionar os setores mais dependentes do consumo interno. Empresas de serviços viram o lucro líquido crescer somente 2,5%, enquanto o segmento de saúde e educação registrou queda de 8.5%. Consultorias projetam que o ciclo de pedidos de recuperação judicial deve prosseguir, com o PIB de 2026 estimado em 1.8%, abaixo das projeções iniciais.
FONTE ORIGINAL:
https://www.brasil247.com/economia/com-selic-a-14-despesas-financeiras-das-empresas-salta-12-no-2o-trimestre-e-soma-r-99-bilhoes
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