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Mercado reduz projeção para inflação, mas cenário econômico ainda combina juros altos e crescimento moderado
Publicado em: 09/09/2026 12:15
O mercado financeiro revisou marginalmente suas projeções para a inflação, com a expectativa para o IPCA de 2026 caindo de 5,01% para 5,00%, mas mantendo o cenário geral de inflação acima da meta. As projeções para a taxa Selic foram mantidas em 13,75% para 2026, 12% para 2027 e 10,50% para 2028, indicando um ambiente de juros elevados. A expectativa de crescimento do PIB para 2026 passou de 1,92% para 1,93%, enquanto para 2027 a previsão permanece em 1,50%. Apesar de melhoras em indicadores de emprego e renda, o endividamento elevado das famílias, o avanço da inadimplência e o custo do crédito continuam limitando a percepção de melhora econômica. O número de inadimplentes se aproxima de 84 milhões de pessoas, e o comprometimento da renda com dívidas permanece historicamente elevado. A inflação dos alimentos também é apontada como fator de pressão sobre o orçamento doméstico. A expansão dos microempreindedores individuais (MEIs) foi destacada, com estudo indicando que cerca de 30% dos MEIs atuais eram trabalhadores com carteira assinada que passaram ao regime de pessoa jurídica após desligamentos. O governo estima que essa chamada pejotização gerou uma perda de R$ 105 bilhões em arrecadação previdenciária e para o FGTS. O programa Desenrola Brasil teve impacto temporário sobre o endividamento. Embora mais de R$ 52 bilhões em dívidas tenham sido renegociados, os níveis de endividamento retornaram aos patamares anteriores em aproximadamente 18 meses. O efeito foi mais perceptível entre trabalhadores com carteira assinada, enquanto para informais foi reduzido. O ambiente de juros elevados também afeta as empresas. Despesas financeiras de 268 companhias listadas na B3 cresceram 12,1% no segundo trimestre de 2026, chegando a R$ 99,4 bilhões. O lucro líquido dessas empresas avançou apenas 3,9%, mesmo com crescimento de quase 25% no resultado operacional. Setores dependentes do consumo doméstico foram os mais afetados. Estudo do Insper e da Stone apontou que, após começarem a apostar online, indivíduos apresentaram aumento médio de 20% na inadimplência e de 38,7% nos atrasos do cartão de crédito ao longo de um ano. Também foi identificada redução de aproximadamente 16% no acesso ao crédito bancário entre apostadores. No varejo, grandes redes estão adotando maior cautela na concessão de crédito, priorizando a qualidade das carteiras diante dos riscos de inadimplência.
FONTE ORIGINAL:
https://www.barbacenamais.com.br/magazine-mais/27578-mercado-reduz-projecao-para-inflacao-mas-cenario-economico-ainda-combina-juros-altos-e-crescimento-moderado
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