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Com calote em alta e agro sob pressão, bancos fecham torneira para famílias e apostam em outro segmento
Publicado em: 14/09/2026 16:35
A inadimplência no Brasil atingiu o maior nível em mais de 15 anos, com a taxa acima de 90 dias alcançando 4,88% em julho, segundo dados do Banco Central. O estoque de crédito totalizou R$ 7 trilhões em junho, mas a qualidade das carteiras deteriorou-se, impulsionada principalmente por atrasos de famílias e produtores rurais. Diante desse cenário, os seis maiores bancos do país — que concentram cerca de 72% do crédito do Sistema Financeiro Nacional — estão redirecionando sua política de concessão. A estratégia é reduzir a exposição ao varejo e priorizar empresas com melhor perfil de pagamento e capacidade de oferecer garantias. A inadimplência das pessoas físicas atingiu 5,42%, enquanto a das empresas foi de 3,19%. Em resposta, bancos como Itaú e Bradesco aceleraram o crescimento de suas carteiras corporativas em ritmo superior ao do varejo. O Bradesco, por exemplo, viu a participação de operações com garantia chegar a 61% de sua carteira. Uma exceção a essa migração para o crédito corporativo é o agronegócio. A inadimplência dos produtores rurais mais que dobrou em um ano, alcançando 8,79% em julho, o maior patamar da série histórica. A deterioração é atribuída à queda nos preços de commodities e ao aumento dos custos de produção. A situação agrícola afeta de forma particular o Banco do Brasil, que responde por mais de 60% da carteira de crédito do setor no país. Nos seis meses analisados, o custo de crédito do banco estatal atingiu R$ 37,3 bilhões, impactando sua rentabilidade. A análise dos resultados do segundo trimestre indica uma tendência de busca por ativos de menor risco, mesmo que isso signifique um crescimento mais moderado da rentabilidade total. A prioridade das instituições é conter perdas e proteger sua solidez em um ambiente de elevada incerteza sobre a capacidade de pagamento de parcela significativa da base de tomadores.
FONTE ORIGINAL:
https://www.seudinheiro.com/2026/empresas/com-calote-em-alta-e-agro-sob-pressao-bancos-fecham-torneira-para-familias-e-apostam-em-outro-segmento-mlim
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