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Renegociação de dívidas rurais não é automática, alerta ex-presidente do Banco do Brasil
Publicado em: 16/07/2026 11:25
O anúncio do governo federal sobre a renegociação das dívidas rurais pode aliviar a situação financeira de milhares de produtores, mas a adesão ao programa dependerá do cumprimento de critérios específicos. O alerta é de Fausto Ribeiro, ex-presidente do Banco do Brasil e sócio da BX2 Capital, que afirma que a renegociação não é automática e que quem não organizar a documentação antecipadamente pode ficar de fora. O programa será dividido em duas modalidades. A primeira contempla os casos mais graves, envolvendo produtores que registraram três ou mais perdas decorrentes de eventos climáticos. Nesses casos, o prazo chega a 10 anos, com dois anos de carência e sem necessidade de entrada, com juros variando de 5% ao ano para agricultores do Pronaf a 11% para produtores de maior porte. A segunda modalidade atende agricultores que comprovarem perda de pelo menos 30% em duas safras consecutivas, por fatores climáticos ou queda de preços agrícolas, com prazo de oito anos, dois anos de carência e sem entrada, e taxas de 6% a 12%. A documentação será decisiva: laudo técnico de frustração de safra, boletim de vistoria do Proagro ou documento equivalente. Também é necessário identificar contratos a serem renegociados, reunir saldos devedores atualizados e manter a documentação da propriedade regularizada, como CAR e certidões ambientais. Ribeiro recomenda que os produtores se antecipem na organização desses documentos, pois quem se organizar primeiro poderá negociar com melhores condições antes da fila se formar. A renegociação representa um importante alívio para o caixa das propriedades, mas não resolve todos os desafios. Ela tira a pressão sobre o caixa e ajuda a preservar o relacionamento de crédito com o banco, mas problemas como o elevado custo de produção, a volatilidade dos preços das commodities e os riscos climáticos permanecem. O especialista recomenda que o produtor aproveite o período para fortalecer a gestão da propriedade, estruturar mecanismos de proteção de preços, contratar seguro rural e revisar a estrutura financeira com profissionais especializados. Segundo Ribeiro, a inadimplência rural passou de 4,6% para 12,7% no último ano, o que reforça que a renegociação ajuda a resolver dívidas antigas, mas não substitui o planejamento financeiro. "A renegociação resolve o passado. O risco futuro exige planejamento", conclui.
FONTE ORIGINAL:
https://www.canalrural.com.br/agricultura/agronegocio/renegociacao-de-dividas-rurais-nao-e-automatica-alerta-ex-presidente-do-banco-do-brasil/
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