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Juros altos pressionam empresas e ampliam risco para investidores, diz WHG

Publicado em: 29/09/2026 18:22
Juros altos pressionam empresas e ampliam risco para investidores, diz WHG
A elevação dos juros pressiona o caixa das empresas e amplia o risco para investidores que financiam companhias por meio de títulos privados e fundos. O alerta foi feito pelo economista Fernando Fenólio, da gestora WHG, que apresentou, em live voltada a clientes, um cenário em que a inadimplência recorde de famílias e o peso dos juros sobre as companhias colocam um dilema para o próximo governo, que precisará conciliar ajuste fiscal e redução do custo do crédito. Segundo dados do Banco Central divulgados em agosto, a inadimplência da carteira total do Sistema Financeiro Nacional chegou a 5%, um novo recorde, com alta de 0,1 ponto percentual no mês e de 0,9 ponto em 12 meses. Entre pessoas físicas, avançou para 6%, também o maior nível da série; entre empresas, permaneceu estável em 3,3%. Na avaliação da WHG, entretanto, a pressão cresce sobre a capacidade das companhias de carregar dívidas: o serviço da dívida — juros e amortizações — consome 30% da renda do setor privado, somando empresas e famílias, patamar superior aos 25% registrados no auge da recessão de 2015 e 2016. Parte da dificuldade corporativa tem origem em captações realizadas quando a Selic chegou a 2% ao ano, com expectativa de retorno próximo de 8%. Como muitas dessas dívidas são pós-fixadas e acompanham o CDI, a alta das taxas aumentou os pagamentos exigidos e reduziu o dinheiro disponível para investimentos e outras despesas. Pelos cálculos da WHG, as companhias desembolsam, em média, R$ 35 em juros e amortizações para cada R$ 100 tomados em crédito, o maior patamar da série histórica; entre as grandes empresas com acesso ao mercado de capitais, o valor é de R$ 32, o nível mais elevado em 15 anos. A expansão do mercado de capitais também mudou a distribuição do risco de crédito. Na crise de 2015 e 2016, uma parcela maior das perdas decorrentes de calotes e renegociações corporativas recaía sobre os balanços dos bancos; hoje, fundos e investidores têm participação maior no financiamento das empresas. Uma eventual onda de reestruturações, portanto, pode provocar perdas também para quem investiu em títulos privados, diretamente ou por meio de fundos. No plano das famílias, o Banco Central informou endividamento em 49,9% em julho, estável em relação ao mês anterior. O levantamento da WHG aponta inadimplência de 10,6% no crédito pessoal não consignado concedido por fintechs, percentual que se aproxima do pico da recessão de 2015 e 2016, mas incide sobre uma base de crédito maior. Compagnias com caixa pressionado tendem a reduzir investimentos e contratações; havendo perda de emprego ou renda, aumenta a dificuldade dos consumidores de pagar prestações. Para Fenólio, o Brasil combina elevada demanda por financiamento com escassez de poupança doméstica, e as necessidades de financiamento do setor público são o principal motor desse desequilíbrio, contribuindo para manter elevado o custo do capital. Juros altos por período prolongado aumentam o risco de renegociações e de deterioração da capacidade de pagamento do setor privado, enquanto um ajuste das contas públicas — importante para reduzir a pressão sobre o financiamento da economia e favorecer queda sustentável dos juros — pode afetar a atividade no curto prazo, retirando renda da economia, reduzindo vendas e enfraquecendo o emprego.
FONTE ORIGINAL:
https://www.cnnbrasil.com.br/blogs/lucinda-pinto/economia/money/mercado/juros-altos-pressionam-empresas-e-ampliam-risco-para-investidores-diz-whg
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