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Concessões de crédito sobem 1,7% e endividamento vai a 49,9%
Publicado em: 29/09/2026 08:54
As concessões de crédito no Brasil cresceram 1,7% em agosto, após estabilidade em julho, conforme o relatório de estatísticas monetárias e de crédito divulgado pelo Banco Central. O avanço foi puxado pelas empresas, que subiram 3,2%, enquanto a demanda por crédito das famílias acelerou de 0,3% para 0,7%. O estoque total de financiamentos do sistema financeiro alcançou R$ 7,4 trilhões, embora a expansão anual do saldo tenha desacelerado de 9,5% para 9,2%. No crédito com recursos livres, o ritmo de crescimento anual também perdeu força, avançando 6,5% em 12 meses, ante 7,0% em julho. A taxa média de juros nos novos empréstimos subiu para 32,3% ao ano, e o spread bancário chegou a 21,2 pontos percentuais. No crédito livre, as taxas médias para pessoas físicas avançaram de 47,7% para 48,5% ao ano, com o Banco Central apontando que a elevação reflete, principalmente, o encarecimento das operações destinadas a pessoas físicas. A inadimplência média do mercado financeiro avançou para 5,0% em agosto. O índice de calotes acima de 90 dias subiu de 5,8% para 6,0% entre as famílias e permaneceu estável em 3,3% nas empresas. No crédito livre para pessoas físicas, a taxa de pagamentos em atraso superior a 90 dias renovou o recorde, passando de 6,4% para 6,6%, contra 5,7% há um ano. O endividamento das famílias também bateu recorde, subindo de 49,8% em junho para 49,9% em julho, com alta de 1,1 ponto percentual em 12 meses. O comprometimento da renda com o pagamento de dívidas recuou marginalmente de 28,9% para 28,7%, mas continuou acima do patamar de um ano antes. O Banco Central alertou que o endividamento segue entre os maiores desafios do sistema financeiro e, na ata do Copom, destacou que modalidades de curto prazo ou emergenciais, de taxas mais onerosas, desaceleram menos intensamente que as linhas de mais longo prazo. A ata do Comef indicou que a situação financeira de famílias e empresas tem sido prejudicada pelos patamares das dívidas em um ambiente de juros elevados, mesmo com a Selic reduzida de 15% para 13,75% desde março. Relatório do Goldman Sachs aponta que as condições de crédito devem enfrentar obstáculos em razão da política monetária restritiva, da desaceleração do crescimento econômico, do enfraquecimento do mercado de trabalho, do aumento da inadimplência e de níveis recordes de endividamento, embora a atividade de crédito dos bancos públicos e as linhas patrocinadas devam seguir sustentando o ciclo. O governo lançou o Desenrola 3, que autoriza o Tesouro Nacional a adquirir diretamente dívidas atrasadas de pessoas físicas, com deságios que chegam a 90%. O plano do Planejamento é adquirir metade do estoque de dívidas bancárias vencidas, estimado em R$ 300 bilhões. Nas duas edições anteriores foram cortados mais de R$ 75 bilhões em dívidas, embora o contingente total de inadimplentes permaneça em 73,71 milhões de brasileiros.
FONTE ORIGINAL:
https://www.bol.uol.com.br/economia/2026/09/29/concessoes-de-credito-sobem-17-e-endividamento-vai-a-499.amp.htm
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