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Fundo de Garantias Chega a 630 Empresas, Mas Escala do Crédito às MPME Continua Por Construir

Publicado em: 29/09/2026 07:03
Fundo de Garantias Chega a 630 Empresas, Mas Escala do Crédito às MPME Continua Por Construir
O Fundo de Garantias Mútuas de Moçambique já apoiou o acesso ao financiamento de mais de 630 micro, pequenas e médias empresas (MPME) em cerca de um ano de actividade. O mecanismo foi criado para responder à dificuldade que as pequenas empresas encontram em apresentar garantias suficientes para obter crédito bancário. A Sociedade de Garantias de Moçambique indica que as 630 empresas beneficiárias obtiveram financiamento através das garantias disponibilizadas pelo fundo, criando condições para expansão dos negócios, emprego e maior contribuição para a actividade económica. O fundo dispõe de uma dotação de US$ 120 milhões, financiada pelo Banco Mundial, e foi estruturado para apoiar aproximadamente 15 mil empresas nacionais ao longo de sete anos, com contribuição para a criação de mais de 20 mil postos de trabalho. Os primeiros resultados correspondem a cerca de 4,2% da meta total prevista. O mecanismo trabalha actualmente com o BCI, Standard Bank e Absa, e os últimos três meses apontam para uma aceleração das operações de crédito com garantia, depois de uma fase de implementação de processos após a assinatura dos primeiros contratos bancários. As barreiras persistem. As avaliações do Banco Mundial sobre o sistema financeiro moçambicano identificam o acesso ao financiamento como uma das principais restrições enfrentadas pelas MPME, apontando falta de histórico de crédito, escassez de colaterais e dificuldade de obtenção de capital para expansão. Uma avaliação independente da instituição concluiu que 50% das empresas apontavam o acesso ao financiamento como restrição importante aos negócios, acima dos 39% observados na região analisada. A própria Sociedade de Garantias referencia ainda a reduzida literacia financeira e a dificuldade de acesso à informação como limites adicionais. A garantia actua absorvendo uma parcela do risco da operação, reduzindo a dependência da exposição do banco face à capacidade patrimonial da pequena empresa e permitindo financiar projectos economicamente viáveis. O instrumento não elimina, contudo, as restantes variáveis da decisão de crédito: geração de fluxos financeiros para reembolso, qualidade da gestão, viabilidade da operação e preço do financiamento. Data recente do Banco de Moçambique mantém em vigor a estrutura mensal da Prime Rate e o spread padronizado de risco de crédito, referências utilizadas na formação das taxas aplicadas às operações bancárias. O Banco Mundial indica que o mecanismo mobilizou aproximadamente US$ 9 milhões de capital privado e apoiou cerca de 600 MPME durante os primeiros dez meses de funcionamento. A distribuição territorial permanece concentrada em Maputo, e a Sociedade de Garantias procura expandir a cobertura nacional através de microbancos, instituições financeiras locais, organizações empresariais e bancos comerciais, com acções de divulgação já realizadas nas províncias do Norte. Pelo menos 40% das empresas apoiadas são lideradas por mulheres, segmento identificado como prioridade do mecanismo, que privilegia ainda projectos de energias renováveis, conservação ambiental, turismo, comércio e agricultura. A avaliação futura do fundo passará por indicadores como volume de crédito mobilizado, distribuição provincial, dimensão média dos financiamentos, sectores beneficiados, taxa de incumprimento, investimento realizado e empregos criados.
FONTE ORIGINAL:
https://www.oeconomico.com/fundo-de-garantias-chega-a-630-empresas-mas-escala-do-credito-as-mpme-continua-por-construir
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