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Proibição das bets foi tardia diante do impacto no consumo das famílias, diz executivo da Abras
Publicado em: 01/10/2026 11:46
O vice-presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), Márcio Milan, classificou como tardia a decisão do governo de proibir apostas esportivas, alertando para impactos negativos na renda das famílias e defendendo que as restrições sejam acompanhadas de campanhas de conscientização ao consumidor. Segundo ele, a entidade vinha há mais de um ano alertando o governo sobre os efeitos das apostas no orçamento das famílias, reivindicando regras mais rígidas de propaganda e tributação. Milan avaliou que as medidas adotadas não foram suficientes para reduzir as apostas e que elas "disputam a renda disponível das famílias". A preocupação da Abras, segundo o executivo, vai além do impacto sobre o consumo e envolve riscos financeiros, sociais e de saúde — com a possibilidade, em sua avaliação, de o setor de apostas trazer uma "doença social". O consumo nos lares brasileiros cresceu 2,21% em agosto, na comparação com julho, com alta de 2,69% no mesmo mês do ano anterior e avanço de 2,71% no acumulado de janeiro a agosto, segundo dados da Abras. O indicador seguiu sustentado pelo mercado de trabalho e pela expansão da renda, apesar do maior comprometimento da renda das famílias, que atingiu 28,7% em julho, ante 27,3% um ano antes. O executivo associou o comportamento ao consumidor mais atento a preços, promoções e à composição do orçamento. A cesta Abrasmercado, composta por 35 produtos de largo consumo, registrou queda de 0,57% em agosto, a terceira retração mensal consecutiva, com valor médio de R$ 837,14; no acumulado do ano, ainda há alta de 4,60%. A cesta de 12 produtos básicos avançou 0,09% no mês, para R$ 356,76, com alta de 4,81% no acumulado desde janeiro. A Abras projeta sustentação das vendas no fim do ano com o reajuste do Bolsa Família, o pagamento do 13.º salário, a Black Friday e as festas de fim de ano, estimando que cerca de R$ 49 do valor adicional médio do programa por família possam ser destinados ao abastecimento dos lares. A entidade também monitora a retomada da alta dos alimentos e os possíveis efeitos climáticos sobre a oferta. Milan defendeu que a proibição isolada não resolve o problema e pode abrir espaço para o mercado ilegal, propondo campanhas de conscientização nos moldes das ações antitabagismo. Para ele, a restrição sem essas iniciativas tem potencial de deslocar a atividade para canais informais.
FONTE ORIGINAL:
https://www.terra.com.br/economia/proibicao-das-bets-foi-tardia-diante-do-impacto-no-consumo-das-familias-diz-executivo-da-abras,8759c55d574c3a4f47e7c962f84a973cg7og2a8e.html
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