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Consumo fraco faz estoques encalharem nas prateleiras e pressiona indústria e comércio

Publicado em: 01/10/2026 05:30
Consumo fraco faz estoques encalharem nas prateleiras e pressiona indústria e comércio
A queda da demanda, associada a crédito caro e endividamento alto das famílias, surpreendeu indústria e comércio e resultou em acúmulo de estoques, segundo o Estadão. O excesso de mercadorias passou a pressionar tanto a produção quanto os preços de bens de consumo, com empresas que se prepararam para um nível de consumo que não se confirmou. Na indústria de transformação, o índice que mede a sobra de produtos chegou a 50,6 pontos em agosto, a maior leitura do ano, segundo a sondagem da CNI, com maiores acúmulos em têxteis, aparelhos elétricos e eletrônicos e móveis. A FGV já havia apontado em agosto o maior nível de estoques desde o início do ano. No comércio, levantamento da FecomercioSP com 600 lojas da Grande São Paulo mostra que 28,9% têm estoques acima do nível considerado adequado, o maior porcentual desde março de 2023. Economistas ouvidos pelo Estadão/Broadcast avaliam que parcela relevante do acúmulo está ligada ao consumo mais fraco. No segundo trimestre, os estoques subiram R$ 51,6 bilhões, equivalente a 1,5% do PIB. Indicadores da CNI em agosto registraram queda da produção, recuo da utilização da capacidade instalada e enfraquecimento do emprego. No varejo, o maior volume de mercadorias encalhadas tende a deixar as encomendas à indústria mais conservadoras, com previsão de intensificação de promoções e descontos para desovar mercadorias. A perspectiva apontada por representantes da FecomercioSP é de efeito sobre o fluxo de caixa das empresas, já que buscar capital de giro nos bancos significa pagar juros elevados. Não se espera, segundo os economistas, um ajuste com efeito recessivo, como o ciclo de desestocagem de 2015 a 2016: o excesso é considerado moderado e a indústria tem menor peso na economia. Consultores e economistas ouvidos pela reportagem apontam normalização e ajuste pela produção, sem sinais “inequívocos” de desestocagem mais intensa. ## Relevância para crédito e risco O quadro conecta consumo fraco, crédito caro, endividamento das famílias, acúmulo de estoques e pressão sobre fluxo de caixa de indústria e comércio — variáveis relevantes para análise de crédito comercial, previsão de inadimplência e monitoramento de risco de crédito.
FONTE ORIGINAL:
https://www.estadao.com.br/economia/consumo-fraco-estoques-encalharem-industria-e-comercio
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