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Venda de debêntures incentivadas "encalha" e pressiona o mercado de crédito
Publicado em: 02/10/2026 18:11
O mercado de crédito privado brasileiro viu as vendas de debêntures incentivadas que bancos foram obrigados a carregar em seus balanços por falta de comprador começarem a pesar sobre o mercado secundário. Ao encontrar, do outro lado, fundos sob resgate e sem apetite pelos papéis, essas operações ajudaram a produzir, em setembro, a maior abertura mensal — quando o prêmio de risco aumenta em relação a um título público de referência — dos spreads dessas debêntures desde março de 2020. A mediana dos prêmios sobre as NTN-Bs subiu 0,37 ponto percentual no mês, de 0,01% para 0,38%, e chegou a 0,42% em 1º de outubro, o maior nível desde julho de 2024. No segundo trimestre, instituições financeiras concentraram 86,3% das debêntures incentivadas emitidas, fatia 30,2 pontos percentuais maior que no mesmo período do ano anterior e também acima do registrado no primeiro trimestre do ano. No mesmo intervalo, a participação dos fundos de investimento caiu de 28,5% para 8,3%, e o volume emitido recuou 33,1%, para R$ 22,9 bilhões. Como as operações são feitas, em sua maioria, com garantia firme, o que não encontra comprador permanece com os coordenadores. No terceiro trimestre, o primário encolheu mais: as emissões de debêntures incentivadas somaram R$ 16,9 bilhões, queda de 52% ante o mesmo período do ano anterior e de 26,3% frente ao segundo trimestre. A fatia das instituições financeiras recuou para 53,6%, ainda acima dos 50,3% de um ano antes, enquanto a dos fundos ficou em 21,5%, ante 40,9%. Segundo carta mensal de crédito citada na reportagem, os bancos continuaram vendendo papéis que ficaram em seus balanços após ofertas primárias fracassadas, e estimou-se que, de cerca de R$ 33 bilhões encarteirados por falta de demanda no ano, ainda restavam R$ 15 bilhões nos balanços. Análise de mercado apontou que a hipótese de venda por bancos ganha força por eliminação: em aberturas de spreads de incentivadas dos últimos anos, os gatilhos costumavam ser eventos de crédito ou ondas de resgate nos fundos, e, desta vez, nenhum dos dois parece explicar o movimento, que seria mais interno dos principais alocadores da indústria. O fluxo vendedor passou também a se retroalimentar: com a queda nos preços dos papéis, as cotas de fundos de incentivadas passaram a refletir a marcação a mercado e os cotistas voltaram a sacar. Em setembro, os resgates dos fundos isentos superaram as aplicações em R$ 13,97 bilhões, a maior saída líquida desde maio. O movimento também aponta para menor liquidez no segmento, diante da falta de compradores: relatos ouvidos na reportagem descrevem um mercado cada vez mais vendedor, com players retirando ofertas de compra. Fontes consultadas confirmaram as vendas dos bancos, mas disseram que elas não explicam tudo, citando também venda de papéis pelas tesourarias, a aproximação da eleição e a concorrência de grandes ofertas de Fiagro como fatores que pesaram para a abertura dos spreads. Para fontes ouvidas na reportagem, como o efeito já chegou às cotas e ao varejo, a normalização pode depender do tempo necessário para dissipar os efeitos dessa abertura de spreads. ## Dados citados na reportagem - Prêmio mediano sobre NTN-Bs em setembro: alta de 0,37 ponto percentual, para 0,38%, e 0,42% em 1º de outubro, maior nível desde julho de 2024. - Segundo trimestre: 86,3% das emissões ficaram com instituições financeiras, ante 56,1% no mesmo período do ano anterior; participação dos fundos caiu de 28,5% para 8,3%. - Volume emitido no segundo trimestre: R$ 22,9 bilhões, queda de 33,1%. - Terceiro trimestre: R$ 16,9 bilhões em emissões, queda de 52% no ano e de 26,3% no trimestre; fatia dos bancos em 53,6% e dos fundos em 21,5%. - Resgates líquidos de fundos isentos em setembro: R$ 13,97 bilhões, após entrada de R$ 10,85 bilhões em agosto. - Fiagros: R$ 9,9 bilhões captados até agosto, acima do recorde anual de R$ 8,85 bilhões de 2023; ofertas em distribuição somam até R$ 24,85 bilhões.
FONTE ORIGINAL:
https://neofeed.com.br/wealth-management/venda-de-debentures-incentivadas-encalha-e-pressiona-o-mercado-de-credito
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