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Limite zerado no BB e cartão travado no Bradesco: o risco para os bancos

Publicado em: 03/10/2026 11:26
Limite zerado no BB e cartão travado no Bradesco: o risco para os bancos
O Banco do Brasil comunicou correntistas que o limite de crédito dos cartões será zerado a partir de 31/10/2026, por conta da revisão dos tetos, e pede que os dados cadastrais estejam em ordem. Segundo a instituição, os limites passam por revisão periódica — que pode elevar o teto —, considerando a oferta responsável de crédito e a educação financeira do cliente. O banco afirmou que os cartões com função débito continuam válidos nessa modalidade e negou que a mudança decorra do fim de algum produto, bandeira ou modelo do portfólio. Há relatos de clientes que não conseguem comprar antes do prazo e temem atraso em parcelas já contratadas. No Bradesco, o padrão das reclamações foi outro: correntistas relataram cartões de débito inoperantes em maquininhas de pagamento, apesar de saldo em conta, com atribuição a um gerente de que o problema estaria ligado ao fim dos cartões gold. Em nota, a instituição rejeitou a hipótese de ter encerrado cartões por conta de categoria, bandeira, modelo ou característica, para crédito ou débito, e afirmou que suas ações seguem os trâmites usuais de gestão e relacionamento com a clientela. Segundo a economista do Idec Ione Amorim, a revisão de limites está alinhada às regras do setor e reflete responsabilidade de quem concede o crédito, considerando sinais como atrasos frequentes, dívidas em outros bancos, negativação recente, capacidade de pagamento e checagem de cadastro e renda. A suspensão do limite exige aviso prévio de 30 dias, com explicação do motivo e orientação sobre o que fazer — inclusive correção de cadastro desatualizado antes do prazo. O instituto lembra ainda que assinaturas cobradas automaticamente no cartão exigem revisão, sob risco de o serviço ser cortado e o cliente cair em inadimplência sem querer. Para o professor de Direito Diogo Caldas, encerrar um modelo de cartão é algo que a instituição pode fazer até com o produto dentro da validade, desde que avise antes e ofereça alternativa de continuidade. Se a falha ocorre com conta com saldo ou cartão de débito, item essencial, o episódio pode ser enquadrado como falha na prestação do serviço; a instituição também não pode repassar ao cliente a conta do cartão substituto quando foi ela quem decidiu pela troca. Se o débito for cancelado, o banco precisa deixar claro ao correntista em que pé está o produto e orientá-lo a preservar o acesso à conta e ao dinheiro. Para o investidor de BBAS3 e BBDC4, os dois casos somam-se a um tema recorrente do setor: a seletividade na concessão de crédito. A reavaliação de limites é, por definição, ferramenta de gestão de risco, ainda que os comunicados não detalhem os critérios usados. O outro lado é o custo de atrito: as exigências de aviso prévio e de continuidade criam obrigações operacionais, e falhas nesse processo tendem a migrar para reclamações em órgãos de defesa do consumidor e para o desgaste de imagem, com despesas de atendimento e eventuais contingências que costumam aparecer nos resultados de forma indireta.
FONTE ORIGINAL:
https://www.ativovirtual.com.br/avnews/artigos/limite-zerado-no-bb-e-cartao-travado-no-bradesco-o-risco-para-os-bancos
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