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Casas Bahia: como o império do crediário criado por Samuel Klein bateu na porta da falência com R$ 17,3 bilhões em dívidas
Publicado em: 05/10/2026 17:15
A Casas Bahia, varejista que atravessou sete décadas e consolidou o parcelamento como símbolo de consumo popular no Brasil, protocolou em agosto de 2026 um pedido de recuperação judicial com R$ 17,3 bilhões em dívidas, na maior crise desde a fundação. A rede, nascida numa pequena loja do ABC paulista, se tornou referência em crédito ao consumidor e agora atravessa reestruturação sob o olhar do mercado. A história da companhia começa com Samuel Klein, imigrante polonês que chegou ao Brasil em 1952 e fundou a Casas Bahia em 1957, em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo. O negócio nasceu com a venda de móveis e eletrodomésticos para as classes média e baixa mediante pagamento parcelado no crediário, modelo que reduzia o risco de inadimplência por meio de cadastro e análise de crédito. O formato ganhou força no varejo brasileiro, e o grupo ampliou a operação com a fábrica de móveis Bartira e com a parceria firmada em 2001 com o Unibanco, que deu origem à Investcred, responsável pelos cartões da loja. O salto corporativo marcou as décadas seguintes: a Globex fez oferta inicial de ações em 1996; o Grupo Pão de Açúcar anunciou a compra das Casas Bahia em dezembro de 2009; os ativos das redes foram reunidos em 2010 na Via Varejo, companhia que passou a operar com esse nome na bolsa em 2012. A marca foi posteriormente simplificada para Via e, em 2023, voltou a se chamar Grupo Casas Bahia, com ações negociadas sob o código BHIA3. A partir de agosto de 2023, a empresa iniciou ampla reestruturação financeira e operacional, cenário que ela mesma atribuiu à elevação dos juros, à restrição de crédito e à pressão sobre o consumo. Em abril de 2024, apresentou plano de recuperação extrajudicial para renegociar dívidas estimadas em R$ 4,1 bilhões e, em maio de 2026, anunciou ter reduzido a dívida em R$ 4,6 bilhões. Ainda assim, os resultados se agravaram. No segundo trimestre de 2026, a Casas Bahia registrou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões, o oitavo trimestre consecutivo no vermelho, e, em agosto, fechou 298 lojas e demitiu cerca de 3 mil funcionários. Em 16 de agosto de 2026, dez empresas do grupo protocolaram na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo o pedido de recuperação judicial, com R$ 17,3 bilhões em dívidas sujeitas ao processo e 19,4 mil credores, dos quais 94,8% sem garantia. Entre os principais credores fornecedores estão Samsung, com R$ 937,6 milhões, Whirlpool, com R$ 800,9 milhões, e Electrolux, com R$ 700,1 milhões. O mercado reagiu de imediato: em uma semana, as ações caíram 14,3%, de R$ 0,49 para R$ 0,42, e o prejuízo acumulado no ano chegou a R$ 11,2 bilhões. No fim de agosto, a Justiça deferiu tutela de urgência no processo, e o grupo passou a buscar apoio dos credores e financiamento de até R$ 1 bilhão para manter a operação. O CEO da companhia, Franklin, definiu o movimento como “recuperação judicial é instrumento, não destino da empresa”. A crise, porém, não é isolada no setor: desde janeiro de 2023, grandes redes do varejo brasileiro acumulam mais de R$ 68 bilhões em dívidas reestruturadas, em lista que inclui Americanas, Dia, Polishop, Casa & Vídeo, Tok&Stok e Marabraz.
FONTE ORIGINAL:
https://www.diariodolitoral.com.br/nacional/brasil/casas-bahia-como-o-imperio-do-crediario-criado-por-samuel-klein-bateu-na-porta-da-falencia-com-r-173-bilhoes-em-dividas
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