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Vulnerabilidade financeira piora em 22 Estados

Publicado em: 05/10/2026 05:04
Vulnerabilidade financeira piora em 22 Estados
O Índice de Vulnerabilidade Financeira (IVF) do Centro de Estudos para Desenvolvimento do Nordeste do FGV Ibre apontou pequena piora da vulnerabilidade financeira no segundo trimestre de 2026, com aumento de 1,01% na média, resultado disseminado em 22 Estados. Foi a primeira edição trimestral do índice, que utilizou dados do Banco Central e da PNAD Contínua para comparar os dois primeiros trimestres de 2026. O IVF considera seis dimensões: inadimplência (peso de 25%), endividamento relativo, pressão de curto prazo, custo do crédito, capacidade de absorção de choques e fragilidade do mercado de trabalho (cada uma com peso de 15%). De acordo com a publicação, a piora foi puxada pela inadimplência, que explica 77% da alta da média e subiu em 23 das 27 unidades da federação. Um segundo vetor foi a pressão de curto prazo, que mede quanto da carteira de crédito vence em até 90 dias e representa 32% da alta. Mato Grosso registrou a principal melhora da vulnerabilidade no país (-2,53%), passando da quarta para a décima posição no ranking de mais vulneráveis, com a redução puxada pelo endividamento relativo. Segundo o pesquisador Flávio Ataliba, a inadimplência ficou praticamente estável e é nessa dimensão que há maior risco de reversão, já que o endividamento relativo continua sendo o mais alto do Brasil. Estados com forte atividade agrícola tendem a registrar taxas de inadimplência mais elevadas; em julho, a inadimplência do crédito rural atingiu o recorde da série histórica, de 8,8%. O Distrito Federal apresentou a maior alta do índice no período (+5,89%), com a piora concentrada em endividamento relativo, fragilidade do mercado de trabalho e capacidade de absorção de choques, que juntas explicam 80% da alta, segundo Ataliba. O DF, entretanto, permaneceu na base do ranking por partir de um nível baixo de vulnerabilidade financeira. O pesquisador destaca que o índice permite distinguir entre posição no ranking e trajetória do indicador, e apresenta ressalvas metodológicas quanto ao Distrito Federal, que parte de valores muito baixos e teve tratamento específico na série de poupança. O Maranhão apresentou a maior vulnerabilidade financeira do país e registrou alta de 2,26% entre os trimestres. Santa Catarina (-1,70%), Rio Grande do Sul (-1,09%) e Paraíba (-1,04%) registraram melhorias. Tocantins (+0,66%) e Rondônia (+0,17%) permaneceram entre os Estados com maior vulnerabilidade. Ataliba informa que, nos próximos trimestres, é provável melhora nacional puxada pela redução da taxa de juros e pelos efeitos do Desenrola, programa de renegociação de dívidas cuja terceira edição acaba de ser anunciada pelo governo federal. Segundo o pesquisador, a principal mensagem de política pública é a inexistência de receita única: nos Estados do agro, a agenda passa por gestão de risco e renegociação de crédito rural; no Nordeste, por educação financeira, substituição de dívida cara por linhas mais baratas e proteção da renda dos informais.
FONTE ORIGINAL:
https://valor.globo.com/google/amp/brasil/noticia/2026/10/05/vulnerabilidade-financeira-piora-em-22-estados.ghtml
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