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Cooperativas de crédito disputam caixa das prefeituras

Publicado em: 06/10/2026 13:24
Cooperativas de crédito disputam caixa das prefeituras
Cooperativas de crédito passaram a disputar o caixa das prefeituras, seguindo orientação da OCB e do Sebrae para que os gestores municipais depositem parte da disponibilidade de caixa em cooperativas, em vez de bancos convencionais, com o argumento de que o recurso circula na própria comunidade e sustenta o desenvolvimento local. A Lei Complementar 161/2018 abriu espaço para as cooperativas captarem recursos de municípios e outras entidades do poder local, que até então ficavam restritos às instituições financeiras oficiais, com algumas exceções. A Resolução CMN 5.273/2025 ampliou esse limite: as cooperativas podem captar até o maior valor entre o montante coberto pelo fundo garantidor e 5% de seus depósitos à vista e a prazo, chegando a 6% em sistemas de dois ou três níveis, além de oferecer outros serviços financeiros a prefeituras e servidores. Segundo a OCB, a mudança ampliou em cerca de R$ 4 bilhões o acesso das cooperativas aos recursos municipais. Os dados apresentados indicam expansão do segmento: em 2025, o volume de depósitos municipais no cooperativismo de crédito alcançou R$ 4,33 bilhões, alta de 162,2% em relação a dezembro de 2021, com 356 cooperativas mantendo relacionamento com 5.507 entes municipais em 2.940 municípios brasileiros. Ainda assim, cerca de mil municípios contam com a presença de cooperativas sem relacionamento financeiro com o poder público local. Minas Gerais é apontada como o estado com maior adesão dos prefeitos: entre 2021 e 2023, o número de municípios que operavam com cooperativas saltou de 107 para 484, e as disponibilidades de caixa municipais operadas por cooperativas passaram de R$ 299,8 milhões para R$ 748 milhões. As cooperativas estão presentes em 720 das 853 cidades do estado, sendo única alternativa de instituição financeira com atendimento local em 84 delas. Sobre o impacto econômico, um estudo da Fipe, de 2023, aponta que municípios com cooperativas atuantes registram acréscimo de R$ 5.100 no PIB médio por habitante em comparação com municípios sem essa presença. A CNM informou que não dispõe de estudos que comparem o retorno local do dinheiro aplicado em cooperativas e em bancos convencionais, ressaltando que cabe ao gestor avaliar, no caso concreto, qual é a melhor aplicação para os recursos públicos, sem privilégio automático frente às demais instituições.
FONTE ORIGINAL:
https://www.gazetadopovo.com.br/economia-cooperativa/dinheiro-do-municipio-fica-no-municipio-o-caminho-que-mil-prefeitos-ainda-nao-viram
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