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Inadimplência do consignado CLT começa a aparecer nos fundos de crédito
Publicado em: 06/10/2026 10:15
Informes mensais enviados à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) indicam aumento de atrasos e de provisões para perdas em FIDCs que adquiriram empréstimos consignados privados concedidos a trabalhadores com carteira assinada. O FIDC UP.P Consignado Privado aparece como um dos casos mais expressivos: em agosto, a carteira bruta era de R$ 277,3 milhões, com R$ 60,5 milhões em provisões, equivalentes a 21,8% da carteira, ante 13,1% em julho. As parcelas vencidas correspondiam a 11,2% da carteira em agosto, e o indicador de créditos inadimplentes avançou de 9,5% para 13,5% entre julho e agosto. Segundo o texto, a provisão é estimativa contábil de perdas esperadas e pode superar o estoque de parcelas vencidas, como ocorre no UP.P, onde a provisão equivale a quase duas vezes o estoque de parcelas vencidas. A deterioração não é uniforme entre os veículos. No Simplix Consignado Privado I, em operação neste ano, as parcelas vencidas atingiam 3,6% da carteira de R$ 103,9 milhões em agosto, e a provisão era de R$ 1,94 milhão, ou 1,9%, ante 2,6% e 0,95% em julho. No Cobuccio Consignado Privado, a carteira bruta em agosto era de R$ 130,6 milhões, com parcelas vencidas equivalentes a 2,6% do total, ante 1,9% em julho, enquanto as provisões passaram de 0,6% para 1,4% da carteira. As diferenças entre os fundos impedem que a deterioração observada em um veiculo seja atribuída ao consignado CLT como um todo. Os informes, porém, mostram que atrasos e aumento das provisões já aparecem em algumas carteiras formadas com esses recebíveis, num momento em que a inadimplência do consignado privado avança no sistema financeiro e coloca à prova a premissa de que o desconto na folha reduziria o risco do empréstimo. Os informes também revelam divergências na composição das carteiras: em agosto, 68,3% dos devedores do UP.P estavam na faixa A do SCR, contra 78,4% no Simplix e 89% no Cobuccio. Segundo o texto, esses percentuais não permitem estabelecer relação de causa e efeito com a inadimplência de cada fundo, uma vez que safra dos empréstimos, perfil dos tomadores, prazo das operações e critérios de provisionamento também influenciam o desempenho das carteiras. O material trata de fundos relativamente novos e não permite projetar a perda final: parte dos atrasos pode ser recuperada e provisões podem ser revertidas. Ainda assim, os informes oferecem uma primeira fotografia do risco começando a aparecer nos veículos que adquiriram esses recebíveis, com diferenças relevantes no comportamento das carteiras já poucos meses após a expansão do consignado privado.
FONTE ORIGINAL:
https://veja.abril.com.br/economia/inadimplencia-do-consignado-clt-comeca-a-aparecer-nos-fundos-de-credito
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