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Bancos veem espaço para queda da Selic, mas inadimplência segue como risco para a economia
Publicado em: 07/10/2026 15:15
Bancos brasileiros apontam espaço para nova queda da Selic até o fim do ano, mas o ambiente de crédito exige atenção redobrada. Segundo levantamento da Febraban, 70% das instituições esperam taxa básica menor, enquanto 20% projetam dois cortes de 0,25 ponto percentual. Em contrapartida, o indicador de inadimplência foi revisado de 5,8% para 6,1% na estimativa de fechamento do período. A elevação da inadimplência se soma a juros ainda altos, endividamento das famílias e desaceleração gradual da atividade, levando as instituições a adotar critérios mais rígidos na concessão de crédito. Segundo o economista Eduardo Velho, sócio e economista-chefe da Equador Investimentos, os bancos estão desacelerando a oferta de crédito na economia, comportamento que pode limitar consumo e investimentos, embora ele não veja elementos suficientes para apontar uma recessão. Velho avalia que há condições para a continuidade do ciclo de redução dos juros, desde que o ambiente fiscal doméstico e o cenário internacional não apresentem deterioração mais forte. Ele considera provável que a Selic recue para 13,25% e siga trajetória descendente ao longo de 2027, movimento que dependerá da condução das contas públicas pelo próximo governo. Entre os setores que exigem maior acompanhamento está o agronegócio, com bancos demonstrando preocupação com a capacidade de pagamento de produtores e empresas do segmento. O economista avalia que renegociações de dívidas agrícolas não seriam incomuns em ambiente de juros elevados e considera possível que o próximo governo adote medidas específicas para reorganizar passivos no setor. Como riscos adicionais, Velho citou a possibilidade de fenômenos climáticos elevarem a inflação de alimentos, os rendimentos dos títulos públicos norte-americanos como fonte de incerteza e a eventual manutenção de preços do petróleo em níveis elevados, com potencial impacto sobre a inflação e a política monetária nos Estados Unidos. Na leitura dele, a indústria é um dos segmentos mais sensíveis ao ciclo de juros altos e se beneficiaria de forma especial com a queda dos juros futuros.
FONTE ORIGINAL:
https://timesbrasil.com.br/brasil/bancos-veem-espaco-para-queda-da-selic-mas-inadimplencia-segue-como-risco-para-a-economia
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