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Moody’s alerta para dívida alta e desafios fiscais
Publicado em: 07/10/2026 13:15
A Moody's alerta que o próximo presidente do Brasil herdará contas públicas mais pressionadas, com dívida elevada, juros altos e pouco espaço para cortes de gastos sem aprovação no Congresso. Segundo relatório da agência de classificação de risco, a dívida bruta do governo geral está acima de 82% do PIB, ante cerca de 72% em 2022, com projeção de chegar a 86% em 2027 e pico próximo de 88% em 2029. Estabilizar o indicador exigiria superávit primário de 2% a 3% do PIB, mas mais de 90% dos gastos do Orçamento federal são obrigatórios, o que limita a flexibilidade de cortes sem mudanças legislativas. A avaliação da Moody's sobre cenários políticos diverge. Uma eventual reeleição de Lula tenderia a preservar o arcabouço fiscal atual, com ajuste mais gradual apoiado em crescimento, receitas e eficiência de gastos, mantendo peso relevante para transferências de renda, crédito direcionado, bancos públicos e estatais — modelo que sustenta demanda e favorece setores dependentes dessas fontes de financiamento. Já em um eventual governo Flávio Bolsonaro, a agência espera ajuste fiscal mais forte, com cortes, regra de dívida e menor participação do Estado, incluindo privatizações e concessões. A agência destaca que cortes que reduzam desperdício têm impacto distinto de medidas que atinjam transferências, investimentos ou serviços públicos. Redução de transferências pressionaria inicialmente a receita e margens de empresas voltadas ao consumidor; setores dependentes de crédito direcionado poderiam enfrentar custos de financiamento mais altos com menor atuação dos bancos públicos. Para o setor privado, a Moody's projeta que juros elevados continuarão afetando empresas em 2027, com Ebitda agregado caindo mais de 3% e custos financeiros pressionando o fluxo de caixa. Quase um terço da dívida corporativa com rating está atrelada a taxas flutuantes, sobretudo em varejo, distribuição de combustíveis, aluguel de veículos e transporte. Nos bancos, pressões sobre qualidade de ativos são esperadas, mas a forte capitalização confere capacidade de absorção de perdas. O relatório não representa nova ação de rating do Brasil.
FONTE ORIGINAL:
https://timesbrasil.com.br/empresas-e-negocios/moodys-alerta-que-o-proximo-presidente-herdara-divida-alta-juros-caros-e-pouco-espaco-para-mexer-nos-gastos-publicos
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