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Endividamento sobe a 87,2% e desafia famílias gaúchas, enquanto inadimplência recua

Publicado em: 07/10/2026 11:30
Endividamento sobe a 87,2% e desafia famílias gaúchas, enquanto inadimplência recua
A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência das Famílias (PEIC-RS), divulgada pela Fecomércio-RS para agosto de 2026, aponta que 87,2% das famílias gaúchas estavam endividadas, alta de 0,9 ponto percentual sobre julho (86,4%) e acima do índice de agosto de 2025 (85,0%) e da média histórica da série (72,9%). O crescimento concentrou-se em famílias com renda de até 10 salários mínimos, cujo percentual de endividadas subiu de 90,5% para 91,6%; entre as de renda superior a 10 salários mínimos, o indicador permaneceu estável em 68,9%. Mesmo com a alta do endividamento, a inadimplência recuou pelo terceiro mês consecutivo, de 24,1% em julho para 23,5% em agosto, com participação relevante da queda entre as famílias de menor renda (de 29,8% para 28,5%). Entre famílias com renda superior a 10 salários mínimos, o indicador avançou de 4,7% para 6,6%. Também recuou o percentual de famílias sem condições de pagar qualquer parcela das dívidas em atraso nos próximos 30 dias, de 1,7% para 1,6%. O tempo médio de atraso, por outro lado, aumentou de 31,8 para 32,9 dias, elevado principalmente pelas famílias de renda acima de 10 salários mínimos, cujo prazo médio saltou de 33,0 para 40,7 dias. O comprometimento da renda com dívidas registrou leve recuo, ficando em 29,8%. Em termos de percepção, a parcela que se considera "muito endividada" caiu de 15,9% para 15,1%, enquanto a que se declara "pouco endividada" avançou de 26,3% para 28,9%. Entre os tipos de dívida mais citados, o cartão de crédito lidera (64,3% dos endividados), seguido por carnês (45,0%), financiamento de carro (6,8%), crédito pessoal (5,3%), financiamento habitacional (5,3%) e crédito consignado (3,9%). O tempo médio de comprometimento com dívidas recuou de 6,7 para 6,5 meses, com concentração entre 3 e 6 meses (51,2% das famílias). Os dados foram coletados em Porto Alegre nos dez últimos dias de julho e refletem, em parte, os efeitos do programa Novo Desenrola, apontado como contribuinte para a redução da inadimplência no curto prazo, sem alterar as condições estruturais ligadas ao excesso de endividamento. Para o economista Luiz Carlos Bohn, o cenário combina comprometimento de renda elevado e juros em patamar restritivo, exigindo cautela das famílias. Analistas ouvidos pelo veículo avaliam que os indicadores refletem a transição da política monetária, com tendência de estabilização gradual do endividamento no último trimestre caso a queda dos juros se mantenha e o mercado de trabalho preserve o nível de ocupação.
FONTE ORIGINAL:
https://www.radiopampa.com.br/endividamento-sobe-a-872-e-desafia-familias-gauchas-enquanto-inadimplencia-recua
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