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Crédito para comprar imóvel perde força e construtoras ganham espaço

Publicado em: 07/10/2026 07:02
Crédito para comprar imóvel perde força e construtoras ganham espaço
O dinheiro do FGTS destinado ao mercado habitacional mudou de direção em 2026. Enquanto os desembolsos para pessoas físicas perderam força, as construtoras passaram a representar uma parcela maior do crédito habitacional, em um movimento que mostra uma mudança na distribuição dos recursos usados para financiar a moradia no país. Os desembolsos do FGTS para habitação de baixa renda somaram R$ 10,3 bilhões em agosto, queda de 15% em relação a julho e de 17% na comparação com agosto de 2025. No acumulado dos oito primeiros meses do ano, foram R$ 81 bilhões, recuo de 2% frente ao mesmo período do ano passado. A principal redução veio das operações destinadas às pessoas físicas: em agosto, os desembolsos para esse público ficaram em R$ 7 bilhões, e o financiamento de unidades prontas pelo FGTS caiu 30% no mês, respondendo por apenas 9% do volume desembolsado. Na outra ponta, os empréstimos destinados a construtoras representaram cerca de 25% do crédito habitacional do FGTS nos oito primeiros meses de 2026, acima dos 23% registrados no mesmo período de 2025. O resultado evidencia uma diferença de ritmo entre o crédito direcionado diretamente ao comprador e aquele utilizado pelas empresas para produzir ou comercializar novos empreendimentos. O comportamento do FGTS contrasta com os dados mais recentes do crédito imobiliário financiado pela poupança, cujos financiamentos apresentaram crescimento expressivo no ano. O cenário indica que não existe uma retração uniforme do crédito imobiliário brasileiro: enquanto os recursos do FGTS destinados à habitação de baixa renda registraram perda de ritmo, a outra fonte de financiamento avançou. A diferença reforça a importância de acompanhar separadamente as fontes de financiamento, já que o FGTS atende principalmente famílias de renda mais baixa e também financia a produção habitacional. A mudança na composição do crédito merece atenção porque o financiamento para construtoras ajuda a sustentar a produção de novas unidades, enquanto a retração dos desembolsos para pessoas físicas pode dificultar a transformação da demanda em aquisição efetiva, especialmente entre compradores que dependem do FGTS. O movimento também amplia a relevância das condições oferecidas diretamente pelas incorporadoras, que vêm recorrendo com maior frequência ao financiamento direto ao cliente diante das condições do crédito bancário. O dado central, portanto, não é apenas uma queda do crédito, e sim quem está conseguindo acessar os recursos e para qual finalidade o dinheiro está sendo utilizado.
FONTE ORIGINAL:
https://paraibabusiness.com.br/credito-para-comprar-imovel-perde-forca-e-construtoras-ganham-espaco
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