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Endividamento cai e inadimplência sobe entre renda maior
Publicado em: 08/10/2026 12:38
Em setembro, a proporção de lares brasileiros com algum compromisso financeiro a vencer recuou para 81,7%, ante 82% em agosto, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da CNC. Foi o primeiro recuo desde dezembro de 2025. A parcela de famílias com contas em atraso caiu de 29,9% para 29,6% no intervalo mensal, abaixo também dos 30,5% de um ano antes, e o grupo considerado muito endividado recuou de 17,9% para 17,3%. Quem disse não ter condições de quitar débitos vencidos permaneceu estável em 12,5%. Apesar do alívio nos percentuais, o atraso médio subiu pelo segundo mês consecutivo, chegando a 65,3 dias, patamar não observado desde novembro de 2024, quando a média era de 65,5 dias. Quase metade das dívidas vencidas — 48,9% — estava em aberto há mais de 90 dias. O comprometimento da renda permaneceu elevado, com 29,6% do orçamento destinado ao pagamento de débitos, e em 19,4% dos lares as dívidas consumiam mais de 50% da renda mensal, o nível mais alto desde fevereiro, quando o índice chegou a 19,5%. Por faixa de renda, a inadimplência avançou apenas acima de dez salários mínimos, de 14,9% para 15%. Nas demais faixas houve recuo: de 38,8% para 38,5% na até três salários mínimos, de 28% para 27,8% entre três e cinco e de 20,3% para 20,2% entre cinco e dez. A economista Juliana Inhasz, do Insper, avalia que o avanço na faixa mais alta não representa necessariamente piora financeira, já que parte desses consumidores pode optar por parcelar compras e manter recursos aplicados em renda fixa, com retornos ainda altos. A pesquisa registrou aumento das famílias sem dívidas a vencer, de 17,4% para 18,1%, e mostra que as dívidas com prazo superior a um ano representaram 33,8% do total em setembro. Segundo Juliana, prazos maiores aliviam a parcela imediata, mas estendem o período de comprometimento. A CNC projeta o endividamento perto de 81,5% ao fim do ano, com estabilidade relativa. A economista classificou a melhora como ainda pequena e vinculada à renda e a um mercado de trabalho resiliente, além de programas de renegociação como o Deserola Brasil 2, não considerando a queda dos juros o principal motivo do recuo. Para as famílias de menor renda, ela afirma que a previsibilidade do dinheiro é tão relevante quanto o valor recebido, e alerta que limite de cartão não deve ser confundido com aumento de renda, e que parcelar consumo imediato cria compromissos futuros sem o bem correspondente. A CNC projeta que o endividamento termine o ano próximo de 81,5%, com estabilidade relativa.
FONTE ORIGINAL:
https://www.spacemoney.com.br/credito/endividamento-familias-cnc-setembro
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