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Número de famílias com dívidas a vencer recuou 81,7% no mês de setembro, aponta CNC
Publicado em: 08/10/2026 11:38
A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) da CNC, divulgada nesta quinta-feira (8), apontou para setembro a primeira queda do ano em famílias brasileiras com dívidas a vencer, com recuo de 81,7% no indicador. A taxa de inadimplência — proporção de famílias com alguma parcela em atraso — marcou 29,6%, redução de 0,3 ponto percentual sobre agosto e o menor patamar desde março. No campo da percepção de endividamento, a parcela de consumidores que afirmam não possuir nenhum tipo de dívida subiu para 18,1% no mês, enquanto o grupo que se considera "muito endividado" recuou levemente para 17,3%. O índice de quem declara não ter condições de quitar as contas em atraso ficou estável em 12,5%, interrompendo duas altas consecutivas. A CNC pondera que a autodeclaração de endividamento tem caráter subjetivo, refletindo fatores culturais e a avaliação da própria família sobre o orçamento, sem significar necessariamente superendividamento. O alívio não foi uniforme no tempo. O atraso médio avançou pelo segundo mês consecutivo até 65,3 dias, patamar mais alto desde novembro de 2024, quando estava em 65,5 dias. Segundo a CNC, a piora foi impulsionada por contas com mais de 90 dias de atraso, que já representam 48,9% do total de vencidas — o que acende um sinal de alerta sobre o aprofundamento das dívidas já existentes. A melhora do endividamento também não foi homogênea entre faixas salariais. Nas famílias de até três salários mínimos, o percentual de endividados caiu de 85,1% em agosto para 84,6% em setembro; na faixa de três a cinco salários, de 83,7% para 83,3%. Na contramão, entre rendimentos de cinco a dez salários mínimos o indicador avançou de 77,2% para 77,9%. A inadimplência recuou na maioria das faixas, mas subiu marginalmente entre as famílias acima de dez salários mínimos, de 14,9% para 15%. O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, classificou a retração dos índices após meses de altas como sinal positivo para a economia, mas condicionou a consolidação do cenário a condições macroeconômicas mais favoráveis e a medidas que ampliem o acesso ao crédito em condições mais adequadas, com juros compatíveis com a realidade das famílias e das empresas. A CNC informou ainda que a medida provisória que impediu a operação das bets no Brasil, anunciada no fim do mês, ainda não teve efeito econômico refletido na Peic de setembro, podendo ser aferido em outubro caso se mantenha.
FONTE ORIGINAL:
https://www.folhape.com.br/noticia/amp/517294/cnc-registra-recuo-de817-de-familias-brasileiras-com-dividas
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