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CNC: inadimplência e endividamento das famílias brasileiras recuam em setembro
Publicado em: 08/10/2026 10:30
A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), apurada mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mostrou que a proporção de famílias brasileiras com dívidas a vencer recuou para 81,7% em setembro de 2026, registrando a primeira queda do indicador no ano. Acompanhando o movimento, a taxa de inadimplência — que mede a proporção de famílias com alguma parcela em atraso — cedeu 0,3 ponto percentual em relação a agosto, fechando em 29,6%, o menor patamar desde março. O percentual de consumidores que declaram não possuir nenhum tipo de dívida — cartão de crédito, cheque especial, empréstimos ou financiamentos — subiu para 18,1% no mês, e o grupo que se avalia como "muito endividado" teve redução ligeira, fechando em 17,3%. A CNC pondera que essa percepção de endividamento tem caráter subjetivo, refletindo fatores culturais e a avaliação da própria família sobre o orçamento, sem significar, necessariamente, superendividamento. O índice de consumidores que declaram não ter condições de quitar contas em atraso permaneceu estável em 12,5%, interrompendo dois meses consecutivos de alta. O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, classificou a retração dos índices após meses de sucessivas altas como sinal positivo para a economia, mas afirmou que a consolidação depende de condições macroeconômicas mais favoráveis e de medidas que favoreçam o acesso ao crédito em condições mais adequadas. A Medida Provisória que impediu a operação das bets virtuais no Brasil, anunciada pelo governo federal no fim do mês, ainda não teve efeito econômico refletido na Peic de setembro, podendo ser aferido em outubro, caso se mantenha. Apesar da retração do volume geral de famílias inadimplentes, o aprofundamento das dívidas já existentes configurou sinal de alerta: o tempo médio de atraso avançou pelo segundo mês consecutivo até 65,3 dias, patamar mais longo desde novembro de 2024, quando estava em 65,5 dias. Segundo a pesquisa, a piora foi impulsionada pelas dívidas com mais de 90 dias de atraso, que representam 48,9% do total de contas vencidas. A melhora do endividamento não foi homogênea entre faixas salariais. No grupo de até 3 salários mínimos, os endividados caíram de 85,1% em agosto para 84,6% em setembro, e na faixa de 3 a 5 salários a queda foi de 83,7% para 83,3%. Na contramão, a faixa de 5 a 10 salários mínimos registrou avanço de 77,2% para 77,9%. A inadimplência recuou na maioria das faixas, com alta marginal entre famílias com renda superior a 10 salários mínimos, que passou de 14,9% para 15% no mesmo intervalo.
FONTE ORIGINAL:
https://portaldocomercio.org.br/acoes-institucionais/cnc-inadimplencia-e-endividamento-das-familias-brasileiras-recuam-em-setembro
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