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Inadimplência de produtores rurais cresceu 10 vezes em três anos
Publicado em: 08/10/2026 04:27
A inadimplência de produtores rurais junto a instituições financeiras cresceu cerca de dez vezes em três anos no Brasil, segundo estudo da Agroicone com base em dados do Banco Central. Os saldos de operações em atraso há mais de 90 dias saltaram de R$ 3,8 bilhões, em julho de 2023, para R$ 38,4 bilhões em abril de 2026. O documento aponta "diferentes sinais de deterioração" na qualidade do crédito rural, com reflexos na saúde financeira do campo. Além da inadimplência, o estudo considera o universo de operações problemáticas — em atraso, prorrogadas, renegociadas ou inadimplentes —, cujos valores passaram de R$ 34,1 bilhões para R$ 188,8 bilhões no período. Os financiamentos em renegociação formam o maior bloco, com mais de R$ 100 bilhões e 410,4 mil operações, avanço de 630%. Parcelas prorrogadas ou em atraso aumentaram três vezes. Segundo a consultoria, a trajetória revela que a inadimplência do crédito rural saiu de uma situação "controlada" para "sistêmica". O número de operações problemáticas avançou de 464,5 mil em julho de 2023, cerca de 12% do total, para 893,2 mil em abril de 2026, quase 20% — avanço em velocidade menor que o dos valores, o que indica agravamento mais concentrado no montante financeiro do que na quantidade de contratos. A taxa de inadimplência passou de 3,9% para 5,4% em número de contratos e de 0,7% para 4,3% em valor no mesmo intervalo. O perfil de exposição varia por porte do produtor. Grandes produtores concentram o problema no valor financeiro — 53,8% do saldo inadimplente em abril de 2026, cerca de R$ 20,5 bilhões, com apenas 8% dos contratos problemáticos. Pequenos agricultores e pecuaristas respondem por 76,7% das operações com atrasos superiores a 90 dias e 11% dos valores. Médios produtores apresentam a maior taxa de inadimplência por valor, de 6,1%. A regionalização também difere. No Rio Grande do Sul, com problemas climáticos extremos há seis anos, as taxas de inadimplência são menores — 1,3% em operações e 3,1% em saldo financeiro —, mas o crédito problemático total (atrasos, prorrogações, renegociações e inadimplência) chega a 34,55% dos contratos ativos e 28,80% dos valores, o que mostra que crédito problemático e inadimplência não são sinônimos. Os autores defendem que a política de crédito considere porte, região e momento no tempo. Cleyton Candeira Pimentel, pesquisador da Agroicone e autor do estudo, afirmou que a inadimplência é "uma fotografia das operações que já chegaram a um estágio mais grave de descumprimento", mas que faz parte de um processo mais amplo de deterioração que também aparece antes disso, em atrasos, prorrogações e renegociações. (Globo Rural, 7/10/26).
FONTE ORIGINAL:
https://www.brasilagro.com.br/conteudo/inadimplencia-de-produtores-rurais-cresceu-10-vezes-em-tres-anos.html
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