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Número de brasileiros com dívidas em bancos e fintechs dispara de 1,96 milhão para 8,92 milhões

Publicado em: 09/10/2026 02:27
Número de brasileiros com dívidas em bancos e fintechs dispara de 1,96 milhão para 8,92 milhões
O número de brasileiros com dívidas negativadas simultaneamente em instituições financeiras tradicionais e fintechs saltou de 1,96 milhão, em dezembro de 2019, para 8,92 milhões em julho de 2026, segundo levantamento da Serasa Experian. O crescimento de 355% representa a entrada de quase 7 milhões de consumidores nesse grupo em menos de sete anos. A participação desses consumidores no universo de inadimplentes com instituições financeiras passou de 6,4% para 16,5% — cerca de um em cada seis brasileiros com dívidas financeiras negativadas tem pendências tanto em instituições tradicionais quanto em empresas de tecnologia financeira. No mesmo período, o total de consumidores inadimplentes em instituições financeiras avançou de 30,6 milhões para 54,15 milhões, com a proporção dentro da base pesquisada subindo de 52,6% para 70,4%. A multiplicação de credores aparece também no endividamento acumulado. Em julho de 2026, cada consumidor inadimplente possuía, em média, 4,15 dívidas negativadas considerando todos os segmentos; entre os negativados exclusivamente no sistema financeiro, a média era de 2,31, contra 1,90 em dezembro de 2019. Nos grupos específicos, a média chegou a 4,18 dívidas financeiras por pessoa entre os devedores simultâneos de bancos e fintechs (ante 3,26 na abertura da série), 2,02 entre os exclusivamente tradicionais e 1,14 entre os exclusivamente em fintechs. Em termos monetários, o consumidor com dívidas nos dois grupos acumulava, em média, R$ 7.963 em pendências financeiras, frente a R$ 5.753 nos tradicionais exclusivos e R$ 1.026 nas fintechs exclusivas. O estudo também aponta dificuldades crescentes na recuperação de crédito. Nas instituições financeiras tradicionais, a taxa média anual caiu de 70% em 2024 para 66% em 2025; nas fintechs, a redução foi mais acentuada, de 39% para 30% no mesmo intervalo. Há mudança na distribuição do valor das dívidas financeiras negativadas entre os segmentos: de janeiro de 2018 para maio de 2026, a participação dos bancos recuou de 89% para 66,4%, enquanto cooperativas de crédito passaram de 3,6% para 14,5%, financeiras de 5,7% para 15,4% e outros serviços financeiros — categoria que inclui as fintechs na classificação usada — de 1,6% para 3,8%. Os bancos seguem concentrando aproximadamente dois terços do valor total. Para a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, a expansão do acesso aos serviços financeiros alterou a composição da inadimplência, mas não permite estabelecer relação automática entre inclusão bancária e aumento do endividamento, já que a dinâmica estaria mais ligada às condições macroeconômicas e ao custo do crédito. Segundo ela, a ampliação do acesso ao sistema financeiro ganhou força durante a pandemia, com o Auxílio Emergencial e a disseminação do Pix, enquanto as fintechs diversificaram a oferta de crédito. A economista relaciona as mudanças ao ciclo de juros iniciado em março de 2021, que levou a Selic de 2% a.a. a 13,75% em agosto de 2022, combinado com inflação e redução da renda disponível. Sobre a trajetória da inadimplência — aceleração nas instituições tradicionais entre o 2º semestre de 2022 e o fim de 2023, com redução gradual a partir de 2024, e crescimento mais persistente nas fintechs —, a Serasa ressalta que a diferença não permite concluir maior risco estrutural das fintechs, dadas as distintas características de expansão, maturação de carteiras e perfil de consumidores. Os dados apresentados são nacionais e não incluem recorte específico sobre o Acre.
FONTE ORIGINAL:
https://acreagora.com/2026/10/09/numero-de-brasileiros-com-dividas-em-bancos-e-fintechs-dispara-de-196-milhao-para-892-milhoes
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