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Juros dos empréstimos no Brasil pesam mais sobre famílias que empresas

Publicado em: 10/10/2026 18:01
Juros dos empréstimos no Brasil pesam mais sobre famílias que empresas
O custo do crédito livre no Brasil apresenta diferença expressiva entre pessoas físicas e empresas. Em agosto de 2026, a taxa média chegou a 61,7% ao ano para pessoas físicas, contra 24,2% para empresas, segundo o Banco Central — uma distância de 37,5 pontos percentuais que dimensiona a variação do custo do dinheiro conforme o perfil de quem busca crédito. As taxas cobradas pelos bancos variam conforme a modalidade, o perfil do cliente e as garantias oferecidas. No crédito livre, que reúne empréstimos pessoais, cartões de crédito e capital de giro, as instituições também consideram o risco de inadimplência e o custo de captação. A taxa básica de juros influencia esse custo, mas não o determina sozinha: com a Selic em 14% ao ano em agosto, os juros bancários ficaram significativamente superiores, e a redução para 13,75% em setembro não implica queda automática dos juros dos empréstimos, que dependem das condições de cada operação. Para as famílias, o endividamento compromete parcela relevante do orçamento: 28,7% da renda mensal era destinada ao pagamento de dívidas em julho, e a inadimplência bancária das pessoas físicas alcançou 6% em agosto, segundo o Banco Central. No segmento empresarial, o custo do crédito livre caiu um ponto percentual em agosto, mas os 24,2% ao ano seguem como despesa relevante para companhias dependentes de financiamento bancário. A Moody’s Ratings identifica maior vulnerabilidade entre empresas com dívidas vinculadas a taxas flutuantes, fluxo de caixa livre negativo e necessidade recorrente de captar recursos. O saldo total de crédito bancário chegou a R$ 7,4 trilhões em agosto, com alta de 9,2% em 12 meses — crescimento do estoque que não significa, necessariamente, melhora nas condições de financiamento. A agência apontou que o próximo governo enfrentará situação fiscal delicada, marcada por dívida pública elevada e rigidez orçamentária. Em agosto, a Dívida Pública Federal alcançou R$ 9,29 trilhões, com custo médio acumulado de 12,59% ao ano, e os títulos remunerados por taxas flutuantes representavam 52,74% do estoque, a maior participação desde dezembro de 2000. A rigidez orçamentária dificulta a consolidação fiscal, já que mais de 90% das despesas federais estariam condicionadas a determinações legais, o que restringe a capacidade de ajuste sem mudanças aprovadas pelo Congresso. Embora esses fatores não expliquem isoladamente os juros bancários, representam dificuldades adicionais para a economia brasileira, e a eventual redução dos juros dos empréstimos dependerá também das condições de crédito e não apenas de uma melhora nas contas públicas.
FONTE ORIGINAL:
https://economicnewsbrasil.com.br/2026/10/10/juros-emprestimos-brasil-moody
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