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Uso de rotativo e cheque especial dispara entre os mais ricos e encolhe entre os mais pobres

Publicado em: 12/10/2026 23:00
Uso de rotativo e cheque especial dispara entre os mais ricos e encolhe entre os mais pobres
Dados do Banco Central mostram que, nos últimos três anos, o saldo devido em cartão de crédito rotativo e cheque especial cresceu entre os de maior renda e encolheu entre os de menor renda. O saldo dos que ganham acima de dez salários mínimos nessas modalidades subiu 93% em termos reais entre julho de 2023 e o mesmo mês deste ano, com o peso da faixa no total emprestado saltando de 13,1% para 23,3%, a R$ 30,3 bilhões. As duas linhas estão entre as mais caras do mercado, com juros mensais de 15,18% no rotativo e 7,43% no cheque especial, segundo dados de agosto do BC. Desde 2024, uma norma limita a dívida de quem atrasa o pagamento da fatura a até o dobro do montante original, ou seja, um teto de 100% de juros acumulados sobre o valor contraído. No SCR (Sistema de Informações de Crédito) do Banco Central, o crescimento do uso dessas linhas acompanha a faixa de renda: entre quem ganha acima de 20 salários, a participação no estoque de crédito quase dobrou, de 5,3% em 2023 para 10,5% em 2026; na faixa de 5 a 10 salários, o peso subiu de 13,8% para 17,2%. Já entre os que ganham até 5 salários, o saldo caiu 10,6% nos últimos três anos, após alta de mais de 70% acima da inflação entre 2021 e 2023, e o peso recuou de 69,4% para 57,4%. Especialistas ouvidos pela reportagem atribuem o movimento à deterioração das finanças de classes média e alta e ao redirecionamento da oferta de crédito bancário para públicos de maior salário, como forma de amortecer a inadimplência da baixa renda, que saltou após a pandemia. Dados da CNC de setembro indicam que 71,9% das famílias com renda acima de 10 salários estão endividadas. A Febraban registra que o calote em rotativo e cheque especial passou a avançar a ritmo maior entre os mais ricos: na faixa de 10 a 20 salários, subiu 14 pontos percentuais, para 40,4% em julho deste ano, enquanto na faixa de 1 a 2 salários a alta foi de cerca de 5 pontos, para quase 56%. Especialistas também apontam componente comportamental no endividamento, com consumo influenciado por padrões de vida expostos nas redes sociais, e citam a possibilidade de a alta entre os ganhadores acima de 20 salários refletir também a crise no agronegócio, com produtores recorrendo a crédito caro como pessoa física. A reportagem traz ainda o caso de uma aposentada de São Bernardo que, após choques na renda em 2024, acumulou R$ 20 mil em três cartões ao pagar parcialmente as faturas e parcelar o restante, e que passou a se reorganizar priorizando o pagamento das dívidas mais caras e reduzindo despesas.
FONTE ORIGINAL:
https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/10/uso-de-rotativo-e-cheque-especial-dispara-entre-os-mais-ricos-e-encolhe-entre-os-mais-pobres.shtml
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