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Inadimplência de produtores rurais cresceu 10 vezes em três anos

Publicado em: 12/10/2026 10:00
Inadimplência de produtores rurais cresceu 10 vezes em três anos
A deterioração da qualidade do crédito rural no Brasil avançou de forma acelerada nos últimos três anos. Segundo estudo da consultoria Agroicone, com base em dados do Banco Central, a inadimplência de produtores com instituições financeiras cresceu cerca de dez vezes no período, refletindo o agravamento contínuo de financiamentos problemáticos e a piora na capacidade de pagamento de agricultores e pecuaristas. Os saldos de operações em atraso há mais de 90 dias saltaram de R$ 3,8 bilhões, em julho de 2023, para R$ 38,4 bilhões em abril de 2026. No mesmo intervalo, o montante de recursos identificados como problemáticos — incluindo atrasos, prorrogações, renegociações e inadimplência — passou de R$ 34,1 bilhões para R$ 188,8 bilhões. Os financiamentos em renegociação formam o maior bloco atual, com mais de R$ 100 bilhões e 410,4 mil operações, avanço de 630% no período. Parcelas prorrogadas ou em atraso aumentaram três vezes. O estudo destaca que a inadimplência é a fotografia de operações já em estágio mais grave de descumprimento, mas faz parte de um processo mais amplo de deterioração, que se manifesta antes disso em atrasos, prorrogações e renegociações. O número de operações problemáticas avançou em velocidade menor que os valores: de 464,5 mil, cerca de 12% do total em julho de 2023, para 893,2 mil, quase 20% em abril de 2026. O ritmo mensal de crescimento dos valores com algum problema se acelerou na segunda metade do período, enquanto o de novos financiamentos problemáticos diminuiu. A taxa de inadimplência por contratos passou de 3,9% para 5,4% no período, e a taxa em valor, de 0,7% para 4,3%, indicando que a exposição financeira cresceu mais rápido que a frequência de contratos com problema. A Agroicone classifica a situação como a transição de um cenário "controlado" para "sistêmico". A distribuição do problema varia conforme o porte do produtor. Os grandes concentram 53,8% do saldo inadimplente (cerca de R$ 20,5 bilhões) com apenas 8% dos contratos problemáticos. Os pequenos respondem por 76,7% das operações com atrasos superiores a 90 dias e somente 11% dos valores. Os médios apresentam a maior taxa de inadimplência por valor, de 6,1%, e 35,2% do saldo inadimplente, de R$ 13,4 bilhões. A situação regional também diverge. Na média, 3,97% dos contratos de crédito rural no sistema financeiro e 5,2% dos valores estavam inadimplentes em abril. No Rio Grande do Sul, as taxas de inadimplência são menores (1,3% por operações e 3,1% em saldo), embora o crédito problemático — atrasos, prorrogações e renegociações — tenha atingido 34,55% dos contratos ativos e 28,80% dos valores no estado. Para os autores, crédito problemático e inadimplência não devem ser tratados como sinônimos, e a política de crédito precisa considerar porte, região e natureza do problema.
FONTE ORIGINAL:
https://mundocoop.com.br/agronegocio/inadimplencia-de-produtores-rurais-cresceu-10-vezes-em-tres-anos
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